O Parque Zoobotânico Arruda Câmara, localizado na área urbana da capital paraibana, João Pessoa, e mais conhecido por Bica, passa a ser referência mundial na área do meio ambiente. Nessa sexta-feira (11), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu e concedeu ao Arruda Câmara o título de Posto Avançado da Reserva Biosfera da Mata Atlântica (Parbma). O diploma foi entregue em solenidade ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressistas).
Quando uma instituição recebe esse título da Unesco, ela passa a ser reconhecida como um local onde são desenvolvidos projetos de preservação e recuperação do meio ambiente, no caso da Bica do bioma Mata Atlântica, que envolvam pesquisa e educação ambiental. Com o título, o Parque Arruda Câmara conquista o reconhecimento de que possui um conjunto de ecossistemas terrestres, remanescentes de Mata Atlântica, que contribui para a conservação da biodiversidade, pesquisa e promoção do desenvolvimento sustentável e educação ambiental.
A presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Mary Sorage, explicou na solenidade que os postos avançados são vitrines. “É uma honra reconhecer o trabalho que vem sendo feito aqui. Hoje a Bica alcança patamar de destaque e responsabilidade. Esse título traz consigo o compromisso de se fazer mais e melhor e não temos dúvida de que isso vai acontecer aqui, pois percebemos o amor da equipe por este espaço”, afirmou.
A solenidade foi encerrada com a participação de crianças do Residencial Nice Oliveira, que ajudaram no plantio de mudas de plantas nativas. Estiveram presentes o conselheiro Boisbaudran Imperiano, do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera, e o vereador pessoense Bruno Farias (Cidadania).
Com uma área de 26,8 hectares, o Parque Zoobotânico Arruda Câmara é uma reserva ambiental tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) desde 26 de agosto de 1980. Coberto por resquício de Mata Atlântica, o parque apresenta hoje mais de quinhentos animais de oitenta espécies, entre os quais leões, araras e jacarés, assim como uma infinidade de plantas da flora brasileira.
Popularmente chamado de Bica, devido a uma fonte natural de água potável em seu centro, o Parque Arruda Câmara é considerado “um oásis” no meio da cidade, pois se constitui em um “verdadeiro santuário ecológico” encravado no “coração” da capital paraibana. Anualmente, o local recebe cerca de 110 mil visitantes, entre turistas e moradores da cidade.
Em 24 de dezembro de 1822, a Provedoria da Fazenda autorizava a edificação de uma fonte no pequeno bosque de onde fluía o córrego. Já em 1831, foram expandidos os limites do sítio, concretizando-se sua construção definitivamente em 1889. Nessa época, o parque apresentava área de 43 hectares. O local foi desapropriado pelo então prefeito Walfredo Guedes Pereira. Isso teria ocorrido entre 1920 e 1924.
A área foi então batizada com o nome do renomado botânico paraibano Manuel Arruda Câmara, um cientista e pesquisador nascido no município paraibano de Pombal, Manuel Arruda Câmara. A fonte de água potável, que por muitos abastecia os moradores da capital da Paraíba e que deu origem ao parque, tem o nome de Fonte Tambiá.
Há uma lenda indígena sobre o parque e que conta a história do amor entre dois jovens de duas tribos rivais: a índia Iapré, filha de um cacique potiguara, e o valente guerreiro Tambiá, da tribo cariri. A inimizade entre os dois povos impedia o casamento. Feito prisioneiro, Tambiá recebeu como “esposa da morte” a filha do inimigo. Executado na floresta, ele teve a última mensagem de sua amada: durante cinquenta luas, Iapré chorou sobre a tumba do amado. Assim teria nascido a fonte.
No livro ‘O que o vento não levou’, de Eloyr Blanck, de 2005, há a seguinte narrativa: “O primeiro manancial d’água [de João Pessoa] foi a fonte da Igreja de São Francisco; depois a famosa Bica, no Parque Arruda Câmara, no Bairro de Tambiá, que significa 'olho d’água'. Diz a lenda que uma índia tabajara por nome Iapré, chorando a morte do amado que ali havia sido enterrado, fez nascer uma fonte d’água de excelente qualidade, na qual ela enxugava suas lágrimas oriundas da saudade com seus imensos cabelos”.
Fonte: Espaço PB com Secom-PMJP (Arthur Araújo) – Foto: Divulgação – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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