A conexão entre sustentabilidade e diversidade no resquício de Mata Atlântica localizado na falésia do Cabo Branco, em João Pessoa, está sendo estudada por um do núcleo de pesquisadores da Fundação Casa de José Américo (FCJA)”. O subprojeto ‘Sustentabilidade e Diversidade: Pesquisa-ação na Mata da Falésia do Cabo Branco’ é um dos onze núcleos de estudos que integram o ‘Projeto de Preservação de Memória e Difusão Educativa e Cultural do Acervo da FCJA’.
Acompanhado pela pesquisadora Jandira Pacheco, o coordenador desse núcleo, o também pesquisador Marcos Pereira, informa que o andamento dos trabalhos do núcleo está bastante avançado. Esta semana, Marcos e Jandira se reuniram com a direção da FCJA para dar detalhes sobre os objetivos da pesquisa e, ao mesmo tempo, projetar algumas tarefas futuras a serem desenvolvidas pelo núcleo.
Reunido com Fernanda Albuquerque e Helena Serrano, respectivamente, vice-presidente da FCJA e coordenadora das Assessorias da Fundação Casa de José Américo, Marcos Pereira enfatizou que o objetivo final do projeto do núcleo “é explorar a rica conexão entre sustentabilidade e diversidade na mata da falésia do Cabo Branco”. Ele destacou: “A falésia é muito mais do que um ponto turístico”.
“Na verdade”, continua o pesquisador, “trata-se de um lugar que guarda muitas histórias que se cruzam o tempo todo. É um pedaço de Mata Atlântica, uma área de proteção e também um espaço de narrativas conflitantes. Essa complexidade gera um enorme desafio socioambiental que nós, integrantes do núcleo, resolvemos abraçar”.
Ele observa que “muita gente não imagina, mas a falésia do Cabo Branco também é uma área de trabalho sexual feminino, exigindo um olhar bastante sensível. Esse aspecto, no entanto, não é o foco do nosso trabalho e das nossas pesquisas. Nosso olhar abrange um contexto bem mais amplo e significativo para o futuro, que é a redução da vulnerabilidade com políticas públicas, sem moralismos”, adverte.
Marcos Pereira explica que a abordagem do projeto é o que foi definido como “pesquisa-ação”, método que é baseado na relação dialógica entre pesquisadores e participantes, e que visa gerar mudanças positivas e concretas. “Isso significa dizer que vamos trabalhar com pessoas de uma área para gerar benefícios reais para essa própria população, e tendo como base teórica desse projeto o feminismo ecológico que conecta opressão da mulher e da natureza”.
A metodologia a ser utilizada, conforme Marcos, é dividida em cinco etapas, começando pelo alinhamento (que inclui reuniões semanais) e pela cartográfica, que contará com mapeamento das ações já realizadas por parceiros. A terceira é a etapa da escuta que, segundo ele, consiste na realização de entrevistas e grupos focais no campo.
A quarta etapa da pesquisa se dedicará a da memória, que se voltará para uma profunda investigação do acervo do botânico, ambientalista e professor paraibano Lauro Pires Xavier, hoje pertence à Fundação Casa José Américo. Lauro é considerado um dos pioneiros no ensino e na pesquisa da botânica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Nascido na cidade de Areia, era um defensor fervoroso da natureza e da preservação ambiental.
Por fim, a quinta etapa está relacionada à cultura, quando a pesquisa buscará letras de compositores paraibanos que tratam dos temas sustentabilidade e diversidade. A visão do projeto, de acordo com Marcos, “é plantar o futuro” e, para isso, já tem até um ponto de inspiração que é uma poesia de José Américo de Almeida.
E ele explica os principais versos: “Plantei a fruta-pão no meu pomar/ Vê-la crescer foi uma luta” (uma luta porque a espera durou sete anos); e “Sem botar nem fruta nem o pão/ Apesar do cuidado dispensado” (aqui está a metáfora da pesquisa que, às vezes, parece não dá em nada). Marcos ainda registra que, quando José Américo resolveu cortar a árvore, parou no meio do caminho porque no galho mais oculto havia um ninho de passarinho. Ou seja, a árvore não deu o esperado, mas deu um passarinho, deu vida.
“Vida. É isso que buscamos com nossos parceiros e que estamos cultivando juntos em nosso núcleo de pesquisa: um futuro muito mais diverso e, ao mesmo tempo, sustentável para todas as pessoas”, conclui Marcos Pereira. “A importância desse projeto”, explica Jandira Pacheco, é proporcionar à Fundação Casa de José Américo a oportunidade de olhar e debater sobre o seu entorno e, com isso, se colocar como um agente também preocupado com a falésia do Cabo Branco”.
Para a pesquisadora Jandira Pacheco, ao buscar parceiros para discutir e agir sobre essas ações, “a Fundação Casa de José Américo demonstra que se coloca como um órgão verdadeiramente preocupado com o ambiente em que atua e com o meio ambiente de um modo geral”.
Fonte: Espaço-PB com FCJA – Foto: Alefy Marques – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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