Reciclagem de papel poupa árvores e reduz a poluição

Publicado em: 18/05/2026 às 12:15
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Além dos efeitos para o meio ambiente, atividade é uma importante geradora de emprego e renda na Paraíba

Ontem (17), foi celebrado o Dia Internacional da Reciclagem. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com a finalidade de promover a conscientização em âmbito mundial sobre a importância dessa prática, além de propor o debate sobre a preservação dos recursos naturais. No caso do papel, a reutilização desse material reduz o desmatamento de árvores, além de proporcionar a economia de outros recursos naturais, como água e energia elétrica.

No Brasil, cerca de 80% do papel produzido tem origem na madeira. A reciclagem de uma tonelada de papel pode evitar o corte de 20 a 30 árvores. O processo também consome 71% menos energia elétrica e reduz em até 74% a poluição do ar. 

Sucata do Galego vende papel usado para a fabrição de cadernos, livros e outros produtos | Foto: Ricardo Morais/Arquivo pessoal

Para Izabely Ester dos Santos, engenheira ambiental do setor de Resíduos Sólidos da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), a reciclagem é um importante instrumento da economia circular — modelo de produção que visa reduzir desperdícios —, pois diminui a necessidade de extração de novos recursos naturais e a pressão sobre os ecossistemas. “O processo consiste na transformação de materiais descartados em matéria-prima para a fabricação de novos produtos, contribuindo para a redução do consumo de água, energia e da emissão de gases de efeito estufa”, explicou.

Além dos benefícios ambientais, esse ato possui impacto social e econômico, promovendo geração de emprego e renda para cooperativas, associações e catadores autônomos. “No caso do papel, o material retorna para a indústria e se transforma em novos produtos, fortalecendo economia circular”, destacou Giovana Alves, gerente-executiva de Resíduos Sólidos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PB).

Aumentar a vida útil dos aterros sanitários ao destinar corretamente materiais que possuem potencial de reaproveitamento também são melhorias propostas pela reciclagem, ponto importante nesta época de aumento dos índices de chuvas. Como explica a especialista, quando o lixo não é separado da forma correta, pode acabar entupindo de bueiros e galerias, o que piora os alagamentos.

EPC

Dentro desta perspectiva de conservação dos recursos naturais, a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC) desenvolve ações de reaproveitamento de resíduos gerados na gráfica, como aparas de papel e exemplares antigos do jornal A União. O material reciclado chega a cerca de três toneladas por mês.

 

Foto: Carlos Rodrigo

“São sobras de cortes da gráfica e jornais antigos. Todo esse material é separado e recolhido mensalmente por uma empresa de reciclagem”, explicou Fabrício Macedo, subgerente de Serviços Gerais e Transporte da EPC.

Fabrício ainda destaca que essa atitude traz benefícios diretos para a natureza. “Na empresa, os papeis são prensados em fardos e vendidos para a indústria. Assim, os demais estabelecimentos não precisam cortar mais árvores, porque já reaproveitam esse material. É uma ação que visa a sustentabilidade”.

Mateus Antonioli é proprietário da Central Nordestina de Aparas, que, por mês, envia para a indústria cerca de 500 toneladas de papel. Desse montante, três toneladas vêm da EPC. Esse material vira novos produtos nas indústrias. “O papel que sai picotado, que a gente chama de papel misto, é enviado para a fábrica de papel. Daí retorna como cadernos, guardanapos, papel higiênico ou embalagens de papelão. Já os jornais, uma parte vai para essas mesmas indústrias, o que está mais deteriorado, e a outra, a gente fornece a uma oficina de pintura, para o isolamento dos carros; para granjas de frutas, para cobrir a mercadoria e o sol não queimar”.

Ele ressaltou, ainda, a importância econômica da atividade. “A reciclagem ajuda a preservar o meio ambiente e ainda gera renda para as famílias que atuam na coleta de material reciclado”, disse

Há 24 anos no ramo, Ricardo Morais, proprietário da Sucata do Galego, também atua comprando e revendendo resíduos recicláveis para a indústria. Segundo ele, o seu trabalho, que destina material para a fabricação de cadernos, livros e outros produtos, tem uma representatividade muito importante na questão ambiental.

Papeis reciclados

Grande parte dos papéis usados no cotidiano podem ser reaproveitados. É o caso de papel sulfite, cadernos, envelopes, jornais, revistas, caixas de papelão, cartolinas e embalagens de papel. Contudo, como explicou Izabely dos Santos, da Sudema, materiais contaminados com gordura, óleo, produtos químicos ou adesivos não devem ser reciclados. Papel higiênico, guardanapos usados e papel toalha não são recicláveis, pois absorvem impurezas que comprometem o processo de reciclagem, devendo ser destinados como rejeito aos aterros sanitários.

Passo a passo

A reciclagem começa dentro de casa, com a separação correta dos resíduos. “A população pode colaborar separando, em casa, papéis e papelões limpos e secos, armazenando-os em recipientes específicos até que possam ser destinados adequadamente”, comentou Izabely dos Santos. Para ela, embora o papel possua menor valor comercial em comparação a outros recicláveis, sua destinação correta continua sendo fundamental para fortalecer a cadeia da reciclagem e reduzir impactos ambientais.

De acordo com Giovana Alves, da Semas-PB, em João Pessoa, esses materiais podem ser levados diretamente para associações e cooperativas de catadores ou entregues a catadores autônomos, que fazem a coleta, triagem e encaminhamento para a reciclagem. Os espaços físicos das cooperativas e associações estão presentes em bairros como Mangabeira, Bessa, Bairro dos Estados e Jardim Cidade Universitária. Nesses locais, a população pode entregar os materiais já separados e, sempre que possível, limpos e secos.

Izabely Ester reforça que a população também pode acompanhar os dias da coleta seletiva domiciliar realizada pela Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) nos bairros da capital. “O ideal é manter os papéis limpos, secos e separados do lixo orgânico, evitando contaminações que prejudiquem a reciclagem”, orientou.

Apoio técnico

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade da Paraíba atua, principalmente, no apoio técnico dessa atividade, com ações de educação ambiental, capacitações, campanhas e incentivo a projetos de gestão adequada dos resíduos. “Esse trabalho envolve escolas, prefeituras, associações, cooperativas, comunidades e também espaços públicos. As orientações vão desde a separação correta dos resíduos até a importância da reciclagem nos aspectos ambientais, sociais e econômicos. Um ponto central da nossa abordagem é a valorização do trabalho dos catadores, que têm papel essencial nesse processo”, detalhou Giovana.

Já a Superintendência de Administração do Meio Ambiente trabalha tanto no fortalecimento da gestão ambiental quanto na orientação sobre destinação adequada de resíduos e valorização da reciclagem. No âmbito do Setor de Resíduos Sólidos, o órgão realiza o licenciamento ambiental de associações, cooperativas e empresas que trabalham diretamente com a reciclagem de materiais. “Esses empreendimentos passam por acompanhamento técnico e vistorias periódicas, devendo atender critérios ambientais e operacionais que garantam o funcionamento adequado das atividades”, esclarece Izabely dos Santos.

Além disso, a Sudema também desenvolve ações de educação ambiental e conscientização voltadas à promoção da coleta seletiva, ao incentivo da reciclagem e à disseminação de boas práticas ambientais junto à população e aos setores produtivos.



Fonte: Espaço PB – A União - por Camila Monteiro*: contato@espacopb.com.br

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