Teólogo explica as origens do Carnaval e da Quaresma?

Publicado em: 05/04/2020 às 22:12
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Na próxima quinta-feira (9), cristãos de todo o mundo encerrarão a Quaresma, período de preparação para a Páscoa (ressurreição de Jesus) que inicia no Carnaval. Os adeptos desta prática geralmente praticam jejum, abstinência do consumo de carne e orações ao longo dos quarenta dias. Mas você conhece a origem do Carnaval e da Quaresma?

Existem várias explicações para a criação do Carnaval. Uma delas é que o papa Gregório (590-604) teria dado o nome "Cane Vake" ao último domingo antes da quaresma. "É uma expressão latina que significa 'despedida da carne', já que o período do Carnaval compreende os últimos dias de consumo de carne antes da quaresma", explica o professor Cícero Bezerra (na foto), coordenador do Curso de Teologia Católica do Centro Universitário Internacional Uninter.

Já outros pesquisadores apontam a origem da palavra em práticas greco-romanas nas quais um pequeno cortejo carregava um barco dedicado ao deus Dionísio, ou deus Baco. Em latim, essa prática denominava-se currus navalis, o que é traduzido como carnevale para o português.

A festa da carne ou da extravagância data do século VI antes de Cristo. "Eram festividades, geralmente no início do ano, com a intenção de se despedir do inverno no hemisfério norte. Os praticantes buscavam expelir as faltas cometidas no ano anterior, pedindo perdão aos deuses e buscando bênçãos de fecundidade e prosperidade para o novo ano", diz.

A busca por perdão e remissão era encenada com a morte de um boneco, que era queimado e destruído depois de um festivo cortejo fúnebre.

Evolução das festividades

Com o tempo, as apresentações foram aperfeiçoadas com a inclusão de máscaras e fantasias. "Iniciou-se um comportamento de promiscuidade que prejudicava a ordem pública. Por isso, o Senado Romano, a partir do século II antes de Cristo, passou a combater essas práticas e seus adeptos", explica.

Com a chegada do Cristianismo no Império Romano, a festa da carne já tinha se arraigado na população. Logo, a igreja passou a oferecer alternativas religiosas para demonstração de alegria sem promiscuidade, como a Purificação de Maria, Epifania ao Senhor, Festa de Candelária, entre outros. As celebrações limitaram-se a três dias, encerrando-se na Quarta-Feira de Cinzas.

A Quaresma então estabeleceu-se no século IV como o período de preparação para a Páscoa, remetendo ao jejum de Jesus Cristo no deserto. "A Quaresma serve para a penitência pública e para a preparação para o batismo, crisma e eucaristia, três sacramentos de iniciação cristã", pontua o professor.



Fonte: Espaço PB com assessoria – Redação: contato@espacopb.com.br

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