O ataque de Jair Bolsonaro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), provocou uma reação suprapartidária em defesa do Congresso Nacional. Em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira, Bolsonaro acusou Maia de conduzir "o Brasil para o caos" e de "conspirar" contra o governo. Recebida como uma agressão ao Legislativo, a fala aprofundou o desgaste entre Palácio Planalto e parlamentares. Além disso, contribuiu para uma resposta imediata: o Senado desistiu de votar nesta sexta-feira uma minireforma trabalhista proposta pela equipe econômica. Trata-se da Medida Provisória do contrato Verde e Amarelo, que perde validade na segunda-feira caso não haja deliberação pelos senadores.
As declarações de Bolsonaro contra o presidente da Câmara foram interpretadas como uma afronta ao Congresso. No Senado, parlamentares expuseram publicamente o desconforto com a postura do presidente da República.
— Não vamos tapar o sol com a peneira: a fala de ontem, infeliz, do presidente da República expôs todos nós, expôs de forma indevida. (...) Nunca vi, nesses seis anos de mandato e acompanhando os dois mandatos do meu pai, que foi senador da República, tanta união entre oposição e situação no Congresso a favor do povo brasileiro. Então, neste momento em que estamos fazendo um esforço para aprovar medidas relevantes para o país, a fala do presidente foi indevida e enseja, para todos nós, o Congresso como um todo, espera um pedido de desculpas neste momento — disse a presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Simone Tebet (MDB-MS).
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Ao responder à acusação no mesmo dia, Maia afirmou que Bolsonaro "taca pedras", mas o parlamento "responde com flores" em momento de crise. Para o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), a reação do presidente da Câmara deve guiar a manifestação de deputados. Ele argumenta que é preciso ter cautela, pois o Brasil passa por duas crises: econômica e sanitária. Caso seja estimulada a crise política, haveria a "tempestade perfeita" e o "caos institucional". Ele reconhece que o ato de Bolsonaro, no entanto, uniu o parlamento.
Fonte: Espaço PB com O Globo – Redação: contato@espacopb.com.br
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