Morreu na tarde da última terça-feira (8), aos 102 anos, a feminista e ex-dirigente do Partido Comunista do Brasil Maria Augusta Capistrano. A morte ocorreu no apartamento onde ela morava com uma de suas filhas, no Bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A paraibana entrou para a história como a primeira mulher a concorrer à Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), em 1947.
Nascida em 1918 em Bananeiras, na Região do Brejo paraibano, Maria Augusta Capistrano foi uma das principais lideranças políticas femininas do Brasil. Capistrano ingressou no Partido Comunista do Brasil nos anos de 1940, tendo sido, juntamente Luzia Clerot, pioneira ao concorrer à Assembleia Legislativa da Paraíba. Além disso, a ativista política fez parte da Comissão Executiva do Comitê Brasileiro pela Anistia e integrou o Centro da Mulher Brasileira.
Maria Augusta Capistrano era viúva do ex-deputado David Capistrano, também do PCB de Pernambuco e militante da resistência francesa que lutou contra os nazistas, defendendo o seu país em 1938. Durante a ditadura militar no Brasil, ele foi torturado e assassinado pelo Doi-Codi, na Casa da Morte, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, para onde foi levado após ser preso em São Paulo, em 1974.
Ao longo da ditadura militar, Maria Augusta viveu boa parte do tempo na clandestinidade. Quando seu marido foi preso e desapareceu, em 1974 (só foram saber que foi assassinado na Casa da Morte depois da revelação de Amílcar Lobo), Maria Augusta pediu ajuda à Resistência Francesa. Inclusive, o presidente da França na ocasião, Giscard D’Estaing, solicitou ao governo brasileiro que mandasse soltar David. No entanto, sequer obteve resposta do Itamaraty.
Maria Augusta Capistrano deixa duas filhas, Cristina e Maria Carolina. Ambas já manifestaram o desejo de escrever um livro sobre a história da mãe. O sepultamento ocorreu na quarta-feira (9), no Cemitério da Penitência, no Caju, na cidade do Rio de Janeiro.
Como uma das primeiras mulheres a concorrer a um mandato de deputada estadual na Paraíba, mesmo sem conseguir se eleger, Maria Augusta Capistrano clamava pela união feminina contra o machismo que imperava na época.
Fonte: Espaço PB com Diário do Rio – Foto: Reprodução – contato@espacopb.com.br
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