Presos que cumprem pena em cadeia pública na cidade de Esperança, no interior da Paraíba, estão envolvidos no projeto de ressocialização ‘Esperança no Espaço’, considerado inédito no Brasil e que foi lançado pela diretoria da unidade prisional, em parceria com a 1ª Vara Mista daquela Comarca.
O grupo de apenados está aprendendo a produzir telescópios artesanais que estão sendo doados às escolas públicas, com o objetivo de divulgar a ciência e motivar os reeducandos, contribuindo para a autoestima, na medida em que busca resgatar a esperança de um futuro melhor, pelo caminho do trabalho e do estudo.
A ideia do projeto partiu do astrônomo amador Lindemberg Gonçalves Lima, diretor da cadeia pública, e está sendo executado pelo Poder Judiciário em Esperança, por meio das verbas de prestação pecuniária. Essas verbas são repassadas à entidade pública ou privada com finalidade social, previamente conveniada, quando não são destinadas à vítima ou a seus dependentes.
De acordo com a juíza titular da 1ª Vara Mista da Comarca, Paula Frassinetti Nóbrega de Miranda Dantas, a parceria será fortalecida com o apoio da Secretaria Municipal da Educação de Esperança e “todos aqueles que queiram contribuir com o projeto”. Com pouco mais de 33 mil habitantes e localizado na Região do Semiárido, o município de Esperança está distante a 159 quilômetros da capital paraibana, João Pessoa.
A juíza, que de logo encampou a ideia, disse que, quando o projeto foi apresentado, rapidamente causou um impacto sem precedentes. “A magnitude do espaço seduz e desperta toda sorte de sentimentos positivos. Quando vimos as imagens produzidas pelo telescópio, artesanalmente fabricado por eles, não tivemos dúvidas de que o projeto merecia total apoio e, de imediato, iniciamos a parceria, com destinação de verbas de prestação pecuniária para a aquisição dos materiais e ferramentas necessários”, explica Paula Frassinetti.
Ainda de acordo com a magistrada, a ciência transforma, por isso o projeto se apresenta como um verdadeiro instrumento de edificação, não só individual, mas sobretudo social. “O objetivo inicial é fornecer os telescópios fabricados pelos detentos para as escolas da rede pública, mas, em um segundo momento, pretendemos torná-lo rentável para os próprios participantes”, adianta.
O diretor da cadeia pública lembra que a inspiração do ‘Projeto Esperança no Espaço’ surgiu a partir da paixão dele pela Astronomia amadora e a vontade de divulgar a ciência ao maior número de pessoas, doando telescópios às escolas públicas.
Como Lindemberg Gonçalves Lima já tinha construído um telescópio em casa, a partir de materiais reaproveitados, como tubos de PVC de canos para esgoto, madeira de reaproveitamento, raias de rodas de bicicleta, cabos de vassoura, entre outros componentes, e atua no sistema prisional, percebeu que o tema desperta a curiosidade e o interesse de alguns reeducandos, que já trabalhavam na unidade.
“Inicialmente, passei a ensinar técnicas de construção de telescópios refletores na modalidade Amateur Telescope Making (ATM – Construtores de Telescópios Amadores), e Astronomia Básica, oportunidade em que decidi construir o primeiro telescópio na unidade, ao lado dos quatro primeiros reeducandos que trabalharam inicialmente no projeto”, explica.
Ele acrescenta que a ideia inicial foi apresentada à juíza Paula Frassinetti no dia 1º de julho deste ano e que a magistrada, de imediato, apoiou a iniciativa, oferecendo condições para que o projeto fosse colocado em prática, possibilitando desenvolver o primeiro telescópio refletor newtoniano de base dobsoniana, construído na unidade prisional, com a mão de obra dos reeducandos.
“A intenção é expandir o projeto para outras unidades prisionais e beneficiar cada vez mais reeducandos, bem como à sociedade civil, por meio dos alunos e escolas beneficiadas com a doação”, prevê Lindemberg Gonçalves.
Fonte: Espaço PB com Gecom-TJPB (Fernando Patriota) – Foto: Divulgação – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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