O corpo da ex-deputada estadual paraibana Socorro Marques (Cidadania) será sepultado nesta segunda-feira (12), na cidade de Vista Serrana, no Sertão da Paraíba, na região polarizada pelo município de Patos. Ela morreu neste domingo (11), aos 86 anos, em João Pessoa, onde estava internada no Hospital Nossa Senhora das Neves, em decorrência de infarto provocado após uma infecção provocada por uma extração dentária.
Maria do Socorro Marques foi deputada estadual por dois mandatos (eleita em 1988 e 2006) e prefeita de Vista Serrana (também por dois mandatos). Viúva do agente fiscal Enéas Dantas Filho, ela deixa oito dos nove filhos (um deles, Enermarques, já havia falecido).
Na vida pública, Socorro Marques também exerceu os cargos de secretária estadual adjunta de Acompanhamento e Ação Governamental; coordenadora do Fundo de Desenvolvimento do Estado da Paraíba, na Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan); presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e presidente da Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac).
Foi pioneira na luta pela construção do Centro de Oncologia de Patos e suas memórias estão no livro ‘A Trajetória de uma Mulher’. Ela era economista, contadora e servidora pública estadual aposentada.
Caminhada política
Maria do Socorro Marques, ou simplesmente Socorro Marques, nasceu em Paulista, cidade do Sertão paraibano, na região polarizada pelo município de Pombal e distante a 410 quilômetros da capital João Pessoa. Filha do casal Antônio Marques de Medeiros e Maria Gil de Medeiros, passou a infância na terra de origem, observando a casa dos pais como um palco político, lhe despertando para a vida pública.
Em Pombal, fez o 1º grau na Escola Normal Arruda Câmara e também frequentou o Curso Técnico de Contabilidade do Diocesano na mesma cidade, iniciando o superior de Economia na Fundação Francisco Mascarenhas, em Patos e concluiu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, onde também cursou Ciências Contábeis, até 1974.
Casada com Enéas Dantas Filho, agente fiscal do estado, deu à luz os seguintes filhos: Enemarques (falecido), Enetônio, Naria Montessori, Magda Eva, Mozart, Wagner (Vavá), Minerva, Mena e Monaci. Além de professora, ocupou vários cargos na administração estadual e, em 1983, retornou a Vista Serrana, onde foi eleita prefeita por dois mandatos, além de eleger dois sobrinhos para o mesmo cargo e o filho Monaci Marques Dantas. Já o filho Vavá chegou a governar São José do Bonfim, outro município paraibano.
Se radicou em Patos desde de 1983, conquistando um mandato de deputada estadual no pleito de 1998, na coligação constituída pelo PTB, PSL, PST, PSC, PSDB e PL, obtendo 13.930 votos, sendo que 4.120 só em Patos. Conquistou novamente em 2006 vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba, desta vez pela coligação PSD, PAN, PRTB, PHS e PV, com 13.887 votos.
Socorro Marques concorreu para prefeita de Patos em 2008, pelo PSD, obtendo 668 votos, no pleito vencido por Nabor Wanderley (hoje deputado estadual pelo Republicanos e novamente candidato a prefeito de Patos nas eleições municipais de 2020).
Defesa dos ciganos
Uma das lutas referenciais de Socorro Marques – e que durante os seus mandatos de deputada não conseguiu concretizar – gira em torno da construção de um Centro de Cultura e Tradição Cigana, objetivando difundir a arte de uma parcela da população de Patos e desmistificar a “discriminação vivenciada pelos nômades do passado pelo desconhecimento de suas reais características em meio a sociedade”.
Sobre o trabalho desenvolvido pela ex-parlamentar em evidência, escreveu Zélia Marques em 2011: “Exemplo desse profícuo labutar, norteado da melhor boa-fé, já ao alvorecer do mandato, alçando voo a Brasília, levando na pauta o mais importante tema da nossa região: recursos hídricos. Mas não foi apenas viagem e, sim, um fato histórico, quando conseguiu reunir algumas companheiras do Legislativo dos estados do Nordeste, formando, assim, miniparlamento do Semiárido, na busca de discussões amplas e soluções consistentes, com todos os segmentos governamentais, em torno dessa questão”.
Sem mais interesse de participar da vida pública, Socorro Marques finalizava seu livro ‘Capítulos de uma história’, que trata da trajetória de sua família e de sua vida pessoal. Ela sofreu dois AVCs, um em junho de 2016 e outro no início de setembro de 2018. Nos últimos dois anos, seguiu com a saúde debilitada.
Notas de pesar
O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (PSB), lamentou a morte da ex-deputada e ex-prefeita. Ele expressou solidariedade à família. “É uma grande perda para a Paraíba e Vista Serrana. Nossos sinceros sentimentos à família, aos amigos e as pessoas próximas. Que Deus console o coração de todos neste momento de dor”, declarou o presidente.
“Lamentamos a morte dessa grande mulher que muito contribuiu para o municipalismo e para o estado como um todo. Socorro Marques deixa seu legado na vida pública para seus filhos e para todos nós com seus posicionamentos firmes e compromissada com o bem público. A Famup e seus filiados externam seu mais profundo pesar aos familiares e amigos da mulher que sempre teve um compromisso em trabalhar pelos paraibanos”, disse George Coelho (Cidadania), presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba.
Para a deputada estadual Camila Toscano (PSDB), a atuação de Socorro Marques serviu de inspiração para que outras mulheres ingressassem na política. “Foi por conta da coragem e determinação de mulheres como Socorro que pudemos conseguir mais espaços na política. Deixo o meu abraço de conforto aos seus familiares e amigos por essa grande perda para todos nós paraibanos”.
“A Paraíba perde uma mulher que dedicou sua vida pública ao povo, principalmente aos sertanejos. Deixo o meu mais profundo pesar pela partida da ex-deputada Socorro Marques e o meu abraço de conforto aos seus familiares e amigos por essa grande perda para todos nós paraibanos”, disse o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB).
O deputado federal Frei Anastácio (PT) afirmou que conheceu Socorro Marques de perto, como colega parlamentar, na Assembleia Legislativa da Paraíba. “Tivemos uma convivência muito próxima e proveitosa na troca de ideias como parlamentares e pessoas humanas”. Anatácio destacou ainda que, quando presidiu a Comissão Parlamentar Inquérito sobre a violência do campo na Paraíba, Socorro Marques deu uma grande contribuição como relatora.
“Foi com a ajuda dela que pudemos concluir os trabalhos difíceis daquela CPI do Campo. Estávamos apurando denúncias que envolviam militares, civis e latifundiários. Mesmo assim, ela não recuou e concluímos a CPI com vários encaminhamentos. Um deles foi a criação de um projeto de lei acabando com a figura do delegado comissionado no estado. Elaborei o projeto, ele foi aprovado e hoje temos uma Paraíba só com delegados que são concursados, assim como o restante das funções da Polícia Civil”, destacou Frei Anastácio.
Fonte: Espaço PB – Foto: Arquivo – contato@espacopb.com.br
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