Secretário da Saúde de João Pessoa e vereadores debatem o enfrentamento ao coronavírus

Publicado em: 14/05/2020 às 20:17
Foto

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) realizou uma reunião pública remota no início da tarde desta quinta-feira (14) com o titular da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) da capital paraibana, Adalberto Fulgêncio. O objetivo foi discutir com o secretário as ações da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Em sua explanação, Fulgêncio destacou que 85% das pessoas positivadas podem ser tratadas em casa e que 83% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no município estavam ocupadas nesta quinta-feira, reforçando a importância do distanciamento social para não sobrecarregar o sistema de saúde.

Para a covid-19, a capital tem 97 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) atendendo os casos sintomáticos leves. Os moderados são tratados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Já os sintomáticos graves vão para a assistência hospitalar via atendimento por regulação, a partir das unidades hospitalares públicas do estado, município e de gestão compactuada com o município. Com relação ao cuidado com grávidas e bebês, a Maternidade Frei Damião e seu anexo cuidarão dos casos suspeitos e diagnosticados por covid-19.

“Até agora, João Pessoa abriu 86 leitos de UTIs e 144 leitos clínicos para a covid-19. Nesta sexta-feira (15), abriremos mais 30 de enfermaria e 10 de UTIs no Prontovida. Além disso, até o fim da semana, as UPAs Bancários e Oceania virarão ‘UPAs Covid-19’.  Hoje pensamos a saúde juntando as redes estadual e municipal. A vigilância epidemiológica trabalha com a coleta de dados diariamente; os leitos adultos estão divididos nos Hospitais Santa Isabel, 13 de Maio e Prontocor (estes dois em construção); e os leitos pediátricos estão nos Hospitais Universitário Lauro Wanderley (HULW) e Municipal do Valentina (HMV)”, relatou o secretário da Saúde.

A vereadora Eliza Virgínia (Progressistas) quis saber do secretário sobre os protocolos de atendimentos realizados na capital; sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes e a perda de uma UTI móvel. “Poderemos contratar mais serviços de ambulância?”, indagou. Já o vereador Renato Martins (Avante) sugeriu que nas UPAs, durante a triagem, ocorra a distribuição dos medicamentos, máscaras e álcool em gel para os pacientes.

“O isolamento social precisa sair da casa dos 40% para 70%, marca ideal. Mas o isolamento social precisa de proteção social, com ações de renda mínima, de proteção alimentar massificada com ongs, igrejas e cadastros que a prefeitura tem, pois ela sabe onde estão as zonas de interesse social, sabe quem é microempreendedor individual, quem é garçom, uber e taxista. Fica a sugestão”, complementou Renato Martins.

Thiago Lucena (PRTB) citou o sistema de “home care” para que haja desocupação dos leitos em hospitais e diminuição da possibilidade de transmissão do coronavírus em unidades hospitalares. “Solicito que possamos construir um planejamento para que haja um ambiente fiscalizado e monitorado pela prefeitura fazendo com que feirantes possam comercializar seus produtos. Que possamos construir um planejamento junto à prefeitura e setor produtivo para a retomada de atividades comerciais na cidade, posteriormente”, sugeriu.

Raíssa Lacerda (Avante) indagou sobre a concessão de insalubridade aos profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia e Zezinho Botafogo (Cidadania) questionou sobre a demora na transferência de pacientes de UBSs e UPAs para hospitais. Já Durval Ferreira (PL) quis saber da possibilidade de haver lockdown, assunto a respeito do qual Helton Renê (Republicanos) também fez indagações.

Com relação aos protocolos de atendimento, Adalberto Fulgêncio deixou claro que todos os profissionais da saúde estão aprimorando protocolos e métodos diante dessa nova doença, lembrando que não adianta testar a todos e que os testes são realizados apenas nas UBS, em pacientes a partir do décimo dia da apresentação dos sintomas. Segundo o secretário, os protocolos são padrão em unidades públicas e privadas e a rede municipal tem utilizado azitromicina, heparina, anticoagulantes e corticoides.

“Temos todas as drogas necessárias aos protocolos utilizados para a covid-19. Vamos fazer protocolos padrões para hospitais públicos e privados da cidade. Nosso protocolo tem cloroquina, mas o médico que está tratando, se preferir não utilizar, não a usará. Isso fica a cargo exclusivamente do médico. Há medicamentos de alta potência que variam no uso de acordo com as características do paciente, se é hipertenso, se tem diabetes etc. Leva-se em consideração a relação risco-benefício do paciente, que é analisada pelo médico, que vai sugerir as melhores formas, métodos e medicações a serem utilizados com o paciente. Cloroquina não é indicada para quem tem problemas renais e cardíacos. Já os anticoagulantes não são recomendados para hipertensos”, explicou o secretário.

De acordo com Adalberto Fulgêncio, a prefeitura tenta manter a taxa de ocupação de UTIs abaixo dos 85% para evitar uma situação crítica. “João Pessoa tem mostrado crescimento de 50 a 60 novos casos por dia. Com isso, projeta-se atingir até 21 de maio a marca dos 2.500 casos na capital. Não descarto a possibilidade de lockdown, mas isso dependerá dos contextos e variáveis, inclusive da situação das cidades circunvizinhas a João Pessoa. A capital não trata apenas pacientes locais, concentramos usuários de diversas cidades no sistema de saúde municipal. Tenho a impressão de que poderíamos estar discutindo agora possibilidades de afrouxamento ao isolamento social, caso não fosse essa demanda excedente”, relatou o gestor.

Aproveitando a oportunidade, os parlamentares também debateram com o titular da SMS a possibilidade de o município realizar a entrega domiciliar de medicamentos a doentes crônicos, como diabéticos e hipertensos, neste momento de pandemia. O assunto faz parte do Projeto de Lei 1.801/2020, de autoria do vereador Leo Bezerra (Cidadania), em trâmite na CMJP.

Adalberto Fulgêncio explicou que a dispensa das medicações exige que os usuários sejam atendidos por equipes médicas, para a expedição da receita do medicamento. Ele ainda salientou que a SMS tem atendido esse público de forma a liberar remédios que durem o período de três meses para cada usuário do sistema municipal de saúde.

Lembrando que uma nova resolução permitiu aos Correios o transporte de medicações, Leo Bezerra disse não entender “como se impede o usuário da rede de saúde municipal de receber a medicação em casa pelo motivo do isolamento social quando a SMS quer que esse cidadão circule na cidade ao se dirigir a uma UBS para receber o remédio, contrariando o isolamento social”.

Adalberto Fulgêncio se mostrou solícito em dialogar com o vereador sobre o assunto e acordou com Leo Bezerra, para a próxima semana, uma reunião com a participação dos líderes da CMJP e do Conselho Regional de Farmácia da Paraíba (CRF-PB) na intenção de discutirem o projeto.



Fonte: Espaço PB com Secom-CMJP – Redação: contato@espacopb.com.br

Comentários: