A paraibana Camille Cabral será destaque, no próximo dia 9, da ‘Semana das Mulheres’, organizado pela Maison des Étudiants Canadiens (Casa dos Estudantes Canadenses), na Cidade Universitária de Paris, na França. Aos 77 anos, ela é ativista transexual e médica dermatologista, e fez história por ser a primeira mulher trans a ser eleita vereadora em Paris, na capital francesa, pelo Partido Verde.
No bate-papo do evento, Camille vai tratar do tema ‘Mulheres Trans São Mulheres’. A participação da paraibana, que tem nacionalidade franco-brasileira, acontece na quarta-feira (9), às 15h30 (no horário de Brasília), e a transmissão, em francês, será ao vivo pelo Instagram do Casa Arara (@casaarara) - clique aqui.
Camille é fundadora do Prévention Action Santé Travail pour les Transgenres (Prevenção, Ação, Saúde e Trabalho para os Transgêneros) – o Pastt –, instituição que auxilia pessoas com HIV e defende direitos de transexuais e de profissionais do sexo, considerada uma das ongs pioneiras no mundo com esse propósito.
“A minha luta é para que as pessoas trans sejam incorporadas às leis comuns. O que eu quero e a sociedade precisa é que nós sejamos respeitadas como pessoas comuns e não pela orientação sexual ou característica física”, diz Camille, segundo o site Glamurama.
Camille Cabral nasceu em 31 de maio de 1944, em uma fazenda no então Distrito de Barra de São Miguel, na época pertencente ao município de Cabaceiras, no Sertão da Paraíba. Em 2001, aos 57 anos, foi a primeira transexual eleita na história da França como vereadora (17º arrondissement de Paris pelo Partido Verde).
Nos anos de 1970, Camille Cabral passou no vestibular para Ciências Médicas, que cursou em uma faculdade privada de Recife, Pernambuco. Após ser diplomada, foi para São Paulo fazer estágio no Hospital das Clínicas. Na capital paulista, decidiu pela primeira vez vestir-se publicamente de mulher, após seus expedientes como médico.
Em 1980, resolveu ir para a França fazer um estágio em dermatologia, no que acabou se especializando. Trabalhava no Hôpital Saint-Louis, de Paris, e já não escondia o jeito feminino. Nessa época uns a chamavam de monsieur, outros de madame, segundo certa vez ela chegou a revelar em entrevista.
Radicada na França e com dupla cidadania, Camille ficou um longo tempo sem ver sua família. Quando voltava para visitá-los no Brasil, desembarcava em São Paulo como mulher, mas na Paraíba como homem. Seus pais jamais a viram de tailleur.
Certa vez, em uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ela explicou: “Identidade de gênero não está ligada à mudança de sexo. Nosso fenômeno não é genital, mas de sensibilidade, de atitude. Não existe nenhum parâmetro que exija que nós tenhamos de fazer operações genitais para podermos ter nossos direitos reconhecidos. Por isso prefiro usar o neologismo transgênera e não a palavra transexual. Eu sou uma mulher transgênera”.
Camille Cabral vem de uma família de oito irmãos e desde pequena adorava quando seu pai a levava para assistir a filmes italianos em Campina Grande. Na França, a médica se casou duas vezes: na primeira, de papel passado e com divórcio no final; na segunda ficou viúva do marido.
O prenome Camille ela escolheu quando adotou a nacionalidade francesa, na década de 1990. “Queria um nome muito francês, mas refinado”, chegou a declarar em entrevista. O sobrenome Cabral é o mesmo de batismo e de sua família paraibana, formada por fazendeiros e políticos. Seus parentes foram ou são vereadores, prefeitos e presidentes de organismos regionais. Um de seus irmãos, segundo dados registrados na Wikipédia – Enciclopédia Livre, foi assessor do então governador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB).
Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Wikipédia – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
Comentários: