Pré-candidatos a prefeito em João Pessoa e Campina Grande tentam fixar seus nomes em meio à pandemia

Publicado em: 13/06/2020 às 23:18
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Se 2020 estivesse sendo um ano eleitoral típico, a esta altura as articulações em torno dos candidatos que vão enfrentar a disputa estariam ocupando a maior parte das discussões na sociedade. Em vez disso, os brasileiros estão preocupados em como retomar as atividades após um período de isolamento social – provocado pela pandemia do novo coronavírus –, além de recuperar a economia. Na Paraíba, este cenário não é diferente.

No entanto, para alguns políticos locais o momento é de fixar seus nomes na mente do eleitorado, aproveitando o período que antecede as convenções partidárias, que este ano vão ocorrer de forma remota a partir do próximo mês. Os chamados pré-candidatos entram numa disputa pela atenção de seus próprios partidos de modo que consigam convencê-los de seu peso eleitoral.

Em todo o estado, muitos nomes já se disponibilizaram para concorrer a uma das 223 vagas de chefe do Executivo em prefeituras, num pleito que está marcado para acontecer no mês de outubro, se o Congresso Nacional e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não decidirem mudanças por conta dos efeitos da covid-19.

Entre as cidades com mais registros de pré-candidatos, João Pessoa e Campina Grande lideram a lista. Na capital paraibana, não são poucas as opções. Nomes como do ex-deputado estadual Raoni Mendes (Democratas) - na foto - e do comunicador Nilvan Ferreira (MDB) seguem em busca de apoio. Nilvan começa a se desvincular de seu principal meio de interação com o público, a partir da ligação que mantém com veículos de comunicação, e deve testar novas formas de se aproximar do eleitorado. Já Raoni Mendes, sem tribuna desde que perdeu as eleições de 2018, segue numa jornada digital, por meio das redes sociais, para se manter presente na mente dos pessoenses.

 Desde o ano passado, vereadores da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) têm sustentado que estaria na hora do Legislativo se unir em torno de um candidato que possa representar a Casa numa disputa. O resultado disso é que, dos 27 parlamentares, pelo menos seis já disseram que aceitariam o desafio de entrar na eleição para a prefeitura.

 A relação tem nomes como Léo Bezerra e Bruno Farias, ambos do Cidadania, além de Marcos Henriques (PT), João Almeida (Solidariedade) e Lucas de Brito (PV), que chegou a receber apoio de um grupo de deputados estaduais do Avante para entrar na disputa. Outro cotado é o veterano Durval Ferreira, que já comandou a Casa Napoleão Laureano por várias legislaturas e, este ano, trocou sua filiação do Progressistas pelo PL.

Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), que historicamente apresenta candidaturas ao Executivo, em 2020 não deve ser diferente. Para a disputa na capital pelo menos dois parlamentares já se colocaram à disposição. Felipe Leitão (Avante), que chegou a ensaiar uma possível disputa em Cabedelo, e Wallber Virgulino (Patriota).

A cidade ainda tem pré-candidatos como o deputado federal Ruy Carneiro (PSDB), que já tentou o cargo em eleições passadas, e seu ex-colega de legenda e ex-prefeito Cícero Lucena que, depois de uma longa trajetória no ninho tucano, decidiu se filiar ao Progressistas, reaparecendo no cenário político após anos de afastamento da vida pública. Cícero foi envolvido em denúncias de corrupção (das quais foi inocentado) feitas pelo grupo político de seu sucessor na prefeitura da capital, o socialista Ricardo Coutinho. O ex-governador (agora investigado em ações da Polícia Federal) declarou que o PSB terá candidato à prefeitura para evitar que “herdeiros” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vençam em João Pessoa.

Para o atual prefeito Luciano Cartaxo (PV), o momento é de avaliar. Cartaxo tem se esquivado de apontar um sucessor, mas garante que o nome sairá da gestão, o que afastou aliados de outros partidos e promoveu a saída de secretários no período de desincompatibilização para evitar o impedimento eleitoral. Diego Tavares (ex-Desenvolvimento Social), Socorro Gadelha (ex-Habitação), Daniella Bandeira (ex-Planejamento) e Edilma Freire (ex-Educação) são do PV e as alternativas do gestor.

Campina Grande: cenário incerto

Na segunda maior cidade do estado em número de habitantes é natural que haja também a segunda maior disputa. Em Campina Grande a lista de pessoas que tentam protagonismo pela prefeitura é alterada constantemente. No início do ano chegou a ter mais de dez nomes, entretanto, vem sendo afunilada com a proximidade dos prazos eleitorais.

Entre os que pleiteiam a escolha para a sucessão de Romero Rodrigues (PSD) estão o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) e seu antigo colega de parlamento, o ex-deputado estadual Bruno Cunha Lima (PSD), além do vereador Lucas Ribeiro, filho da senadora Daniella Ribeiro e neto do atual vice-prefeito Enivaldo Ribeiro, todos filiados ao Progressistas.

Na ala da oposição, o deputado estadual Inácio Falcão (PCdoB) e a ex-secretária estadual do Desenvolvimento e Articulação Municipal, Ana Cláudia Vital do Rêgo (Podemos) se articulam para a disputa. Em janeiro, antes da pandemia de coronavírus, na lista de pré-candidatos chegou a constar o nome do secretário estadual da Saúde, Geraldo Medeiros, e do secretário de Turismo do governo da Paraíba, Gustavo Feliciano (PDT), que se mantiveram nos cargos.

O ex-senador Cássio Cunha Lima e seu filho, o deputado federal Pedro Cunha Lima, ambos do PSDB, também surgiram nos debates em torno das pré-candidaturas, bem como o empresário Dalton Gadelha (PSC). Outros com indicações ao pleito foram o vereador Olímpio Oliveira (MDB), o ex-deputado Walter Brito Neto (MDB) e o empresário Artur Bolinha (PSL) que surgiram como opções independentes, fazendo o discurso crítico ao atual gestor e aos que já passaram pelo governo da cidade.

Registro de candidaturas

Apesar da quantidade de pré-candidatos nos dois maiores colégios eleitorais do estado, as candidaturas só poderão ser registradas, pelo calendário oficial em vigor, entre 20 de julho e 5 de agosto, período dado pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções.

Enquanto isso é permitido aos possíveis nomes que vão encarar a disputa iniciar a arrecadação de recursos para a campanha por meio de financiamento coletivo pela internet. De acordo com a Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições), os pretensos concorrentes somente podem contratar as empresas de financiamento coletivo que estejam cadastradas na Justiça Eleitoral, disponível no site do TSE. Caso a candidatura não seja confirmada, os recursos arrecadados terão que ser devolvidos pela empresa arrecadadora diretamente aos respectivos doadores.

Os pré-candidatos também têm o direito legal de usar a internet para expor seus projetos, participar de encontros, discutir questões políticas e esclarecer posicionamentos pessoais em redes sociais sobre determinados assuntos e dar entrevistas. Mas é vedado o pedido de voto. Este ano, o primeiro turno para escolher prefeitos ocorrerá no dia 4 de outubro e, em caso de segundo turno, a votação será realizada no dia 25 de outubro.



Fonte: Espaço PB com jornal A União - Foto: Portal S1 - Redação: contato@espacopb.com.br

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