Pré-candidatos a prefeito de João Pessoa apontam o pós-pandemia como principal desafio

Publicado em: 19/07/2020 às 03:15
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Com a promulgação da Emenda Constitucional 107/2020, que adiou as eleições municipais para 15 (1º turno) e 29 de novembro (2º turno), o início oficial da campanha eleitoral só começa mesmo no dia 23 de setembro, mas alguns dos pré-candidatos a prefeito de João Pessoa já estão definindo seus coordenadores de plano de governo para debater os problemas da cidade. E entre esses problemas, o que tem mais merecido atenção é o período pós-pandemia que o próximo prefeito da capital deverá enfrentar.

Pelo menos seis dos mais de dez pré-candidatos a prefeito de João Pessoa já manifestam preocupação diferenciada com relação à questão, na maioria dos casos, considerando a necessidade de políticas públicas que possam fazer frente ao agravamento do desemprego que toma conta da cidade e do país.

“Há muito o que se fazer e em diversas áreas, mas o pós-pandemia realmente é o desafio mais complicado que o próximo gestor deve enfrentar”, prevê, por exemplo, o engenheiro Francisco Sarmento, que já foi secretário do município e do estado (nos governos de José Maranhão e Ricardo Coutinho) e que, há alguns dias, já trabalha na montagem do plano de governo do radialista Nilvan Ferreira, pré-candidato do MDB.

Com uma pré-campanha já admitida por muita gente desde maio passado, mas trabalhada muito mais em bastidores, o ex-tucano e ex-prefeito Cícero Lucena (Progressistas) só começou a falar como pré-candidato no começo deste mês. E ele também já previu que, principalmente por causa dos problemas presentes e futuros da pandemia do coronavírus, as eleições deste ano tendem a acontecer num clima muito mais municipalista do que de viés ideológico.

“O futuro gestor deve encontrar uma cidade ainda bastante afetada com problemas, sobretudo de saúde e de desemprego, e isso vai cobrar, de quem quer que seja ele, uma dedicação diferenciada com relação às políticas públicas”, afirmou Cícero, ao explicar que isso certamente levará a população a cobrar mais a questão da eficiência e do compromisso cumprido por parte do gestor”, disse.

Para ele, além desse lado voltado para o social do pós-pandemia, há também a necessidade do próximo gestor se preocupar muito com a preparação da cidade para uma condição real de metrópole. “É por aí, é justamente assim que estamos pensando e é por sentir isso na população que acredito que o pleito será mais municipalista, mais voltado para os problemas do município, do que ideológica”, completou.

“Estamos de fato articulando tudo isso e, nos próximos dias, devo mesmo anunciar nomes e primeiras estratégias de trabalho para a disputa que oficialmente só começa mesmo no próximo mês”, concluiu Cícero Lucena que, além de prefeito de João Pessoa por dois mandatos (entre 1996 e 2004), também já foi governador (entre 1993 e 1994) e ministro no segundo governo de FHC.

Crise sanitária contribui para o desemprego

Primeiro pré-candidato a cair em campo na disputa pela prefeitura da capital, o ex-vereador e ex-deputado estadual Raoni Mendes (DEM) – na foto – reconhece que, além dos problemas que só tendem a se agravar para o futuro prefeito, a pandemia do novo coronavírus tem prejudicado bastante as próprias condições de debate com a sociedade, mas que, juntamente com sua equipe, já começou a colher e selecionar sugestões que farão parte do seu plano de governo.

“As propostas serão separadas por áreas, educação, infraestrutura e tudo o mais, mas certamente terá um capítulo à parte sobre as ações que fazem parte de políticas públicas e que precisarão fazer frente aos problemas provocados pela pandemia”, explicou ele, ao salientar que essa parte do programa incluirá parcerias com o setor privado para a geração de emprego e renda que possam atender a população mais carente e mais afetada pela pandemia”, disse.

Ouvido também sobre o que já vem sendo projetado, o coordenador do plano de governo do radialista Nilvan Ferreira, Francisco Sarmento, disse que um dos pontos realmente mais delicados que o próximo prefeito de João Pessoa vai enfrentar é o pós-pandemia. “Estamos vivendo uma realidade muito complicada que pode se agravar e que se concentra destacadamente no desemprego”, afirma Sarmento, que há bem pouco tempo foi secretário de Recursos Hídricos nas gestões municipal e estadual de Ricardo Coutinho (PSB).

Ele anunciou que, apesar de estar se dedicando e da importância das questões relacionadas à mobilidade urbana, Centro Histórico e Barreira do Cabo Branco, por exemplo, o programa de governo vai precisar incluir ações que visem soerguer a economia que, como em todo lugar, está sendo arrasada pela pandemia.

“É claro que isso não está relacionado à Infraestrutura. Aos outros problemas que citei. Mas, como o município está mais próximo de todas essas demandas, precisaremos incluir propostas de políticas públicas especificamente voltadas a combater os efeitos da pandemia. E como o município não pode fazer isso sozinho, projetando parcerias com outros entes federativos”, disse.

“O impacto da pandemia tem sido muito forte na questão do emprego e da renda, então qualquer governante realmente terá que olhar com todo cuidado para ativar o tecido econômico e, também, para atender as camadas mais desassistidas e mais vulneráveis”. É para essa direção que, segundo o coordenador do programa de governo do PSDB, Gustavo Nogueira, está apontando o plano de ações do pré-candidato tucano, o deputado federal Ruy Carneiro.

Segundo Nogueira, “João Pessoa não é uma bolha separada dos problemas do resto do Brasil, e também vai ser encontrada com muitos mais problemas do que o normal por causa dessa pandemia que assola o país”. Gustavo Nogueira, que já foi secretário do Planejamento de Campina Grande e do estado, no governo Cássio Cunha Lima (PSDB), considera que os gestores não podem continuar com o hábito de olhar os velhos e novos problemas da cidade com lentes antigas. “Precisará de um novo olhar e é isso que estamos projetando e fazendo”, disse.

“E faremos como Ruy defende e costuma: vamos estabelecer um modelo inovador e participativo de governança pública na cidade de João Pessoa. Um modelo que impulsione o crescimento inclusivo com redução das desigualdades, que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar social de seu povo com transparência e efetivo controle social, respeitando os direitos humanos, os valores democráticos e a diversidade dos indivíduos”, detalhou.

Planos de governo e participação popular

“Não acho correto elaborar um documento bonito, sem entender a nossa cidade e sem ouvir a população”, afirma o pré-candidato do PRTB a prefeito de João Pessoa, o deputado estadual Eduardo Carneiro, ao apontar que está ocupado com todas as áreas, mas que o turismo vai merecer uma atenção toda especial, porque foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo ele, João Pessoa tem um grande potencial para esta área, que acaba sendo negligenciado pelo poder público. “Assim como a gestão, vamos promover ações que profissionalizem cada vez mais o turismo, ampliando geração de emprego e gerando renda”.

O plano de governo, segundo Eduardo Carneiro, está sendo construído com a participação popular e com a ajuda de especialistas. “Não adianta fazer um plano sem ouvir a sociedade, só para dizer que tem um programa de gestão”, ressaltou.

O vereador João Almeida (Solidariedade), que se licenciou da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) para já se dedicar melhor à pré-campanha a prefeito, já está com o neurologista Ronaldo Farias lhe ajudando na elaboração do seu plano de governo e acredita que as comunidades mais carentes das periferias da cidade são as que a pandemia mais afetou em termos de emprego e renda e as que mais merecerão atenção da parte do futuro gestor da cidade.

“Mesmo apenas como vereador já temos ações importantes e uma das mais conhecidas é a da Ilha do Bispo, que será somada às ações que gerem emprego e renda. É o que pretendemos traçar em nosso programa”, frisou ele, ao adiantar que está criando e montando, ao lado de alguns técnicos que conhecem o assunto, um plano de governo que deve ser apresentado à cidade.

Outros pré-candidatos a prefeito da capital ainda estão preparando seus planos de governo, tendo como base a crise sanitária da covid-19. Esses são os casos dos pré-candidatos Anísio Maia (PT) e Julian Lemos (PSL), por exemplo.



Fonte: Espaço PB com jornal A União (Ademilson José) – Foto: Divulgação – contato@espacopb.com.br

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