Portal registra 36 mortes de comunicadores em 2020 na Paraíba; quatro foram vítimas da covid-19

Publicado em: 22/12/2020 às 11:45 - Atualizado em: 22/12/2020 às 12:12
Foto

A equipe de reportagem do Portal EspaçoPB fez um balanço das mortes de profissionais da área de comunicação (jornais, rádios, tevês, portais, blogs, agências de publicidade etc.) registradas neste ano de 2020 na Paraíba. Dos 36 comunicadores identificados, a maioria morreu vítima de infarto ou câncer, e pelo menos quatro deles foram vítimas de complicações causadas pela covid-19: Mateus Zerbone Carlos, Humberto Lira, Alexandre Nunes e Gláucio Lima.

O ano de 2020 começo logo, no dia 3 de janeiro, com a morte do jornalista Sebastião Barbosa, conhecido como Barbosinha, em Santiago do Chile, vítima de insuficiência cardíaca. Barbosinha era um dos mais antigos jornalistas especializados em turismo e morava no Chile há mais de dez anos com um de seus filhos. Aos 83 anos, ele vinha sofrendo alguns problemas de saúde, já um pouco agravadas quando ainda residia em João Pessoa.

No dia 22 de março, em João Pessoa, morria Marcello Piancó, humorista, publicitário, radialista e jornalista. Aos 54 anos, ele fazia tratamento de um câncer no fígado, no Hospital Napoleão Laureano, na capital. Além do tumor no fígado, ele apresentou metástase no pulmão. Marcelo Fábio Montenegro Bento de Souza Piancó descobriu que estava com câncer no fim de 2019. Natural do município de Piancó, se mudou para João Pessoa para estudar em 1976. Também era formado em Engenharia e trabalhou em parceria com artistas como Cristovam Tadeu, Shaolin e Nairon Barreto.

Um dos primeiros casos de morte em João Pessoa provocada pela covid-19 foi registrada no dia 30 de março, quando morreu o paraibano Mateus Zerbone Carlos, publicitário e dirigente de futebol. Aos 34 anos, ele era filho do empresário Eduardo Carlos, presidente da Rede Paraíba de Comunicação. Mateus estava internado no Hospital Clementino Fraga, na capital paraibana.

O jornalista, advogado, sindicalista, professor, político e defensor público Levi Borges de Lima foi assassinado no dia 9 de abril. Tinha 72 anos e morreu após ser atingido por tiro na saída de um condomínio na Praia do Paiva, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Ele foi abordado por um assaltante em frente ao condomínio onde a filha morava. Na abordagem, ele foi baleado, socorrido por familiares para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos.

No dia 7 de maio, Wills Leal, jornalista, professor, escritor e crítico de cinema, morria aos 83 anos, em João Pessoa. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Wills Leal era natural de Alagoa Nova, na Paraíba, graduado em Filosofia e bacharel em Línguas Neolatinas. Ele também se especializou em Língua e Literatura Francesa. Ingressou na Academia Paraibana de Letras em 29 de maio de 1992. Wills também fundou a Academia Paraibana de Cinema (APC).

Em 22 de junho, morria Marcos Tavares (Severino Marcos de Miranda Tavares), jornalista, escritor, poeta e dramaturgo. Morreu aos 72 anos em João Pessoa. Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava. A causa da morte foi infarto. Nascido em Ingá, começou a escrever em João Pessoa, a partir da fundação do Grupo Sanhauá, que reunia jovens poetas, pintores e xilogravuristas. Aos 15 anos, estreou na literatura com o livro ‘Fuzuê e Finados’ (1964).

No mesmo mês, no dia 27, morria o jornalista Adelson Barbosa dos Santos, aos 57 anos. Era apontado como referência no jornalismo político paraibano, fez parte dos quadros do jornal Correio da Paraíba por mais de 20 anos, foi correspondente do jornal Folha de São Paulo e da Revista Piauí. Adelson estava internado no Memorial São Francisco, em João Pessoa, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória. Em 2018, ele havia sido diagnosticado com um câncer no cérebro.

No dia 31 de agosto, o jornalista Humberto Lira morria em decorrência da covid-19, aos 77 anos, em um hospital em João Pessoa. O jornalista estava internado no Hospital Santa Isabel, na capital paraibana, desde o dia 21 de agosto após ter sido infectado pelo novo coronavírus. Estava entubado e passava por um processo de hemodiálise. Uma campanha chegou a ser feita pelas redes sociais para pedir doação de plasma para tratamento da covid-19, mas o jornalista não resistiu.

Reginaldo Dionízio da Silva (na foto), mais conhecido por Régis do Ponto de Cem Réis, talvez era – e é – o gazeteiro e jornaleiro mais conhecido da Paraíba (pelo menos em João Pessoa). Aos 75 anos, ele morreu no dia 4 de setembro, vítima de um atropelamento provocado por uma motocicleta ocorrido no mês de agosto na Rua Beaurepaire Rohan, no Centro de João Pessoa. Foi socorrido e levado para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Foi cirurgiado, ficou em observações médicas alguns dias e depois liberado. Morreu em casa.

Em 5 de outubro, morria Ricardo Prado, jornalista, professor de Educação Física e dirigente esportivo. Ele foi presidente do Botafogo paraibano e da Federação Paraibana de Basquete. Ricardo de Oliveira Prado morreu aos 62 anos, de câncer. Ele fazia tratamento há dois anos contra a doença, que afetava seus pulmões e próstata. Trabalhou por muito tempo como repórter de esportes do jornal O Norte.

A 19 de outubro a paraíba também perdia Klécio Bezerra, designer gráfico e diagramador que atuava nos quadros do jornal A União, da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC). Com um legado de gentileza, amor e competência, Klécio Bezerra, de 39 anos, morreu deixando esposa, uma filha de 21 anos, uma afilhada de 5 anos e incontáveis amigos que conquistou por onde passava. Morreu vítima de complicações decorrentes de um infarto que havia sofrido há quase um ano.

Durante mais de 20 anos de carreira, Klécio Bezerra passou pela Editora Textoarte, pela equipe da Gráfica JB, na Secretaria da Comunicação de João Pessoa durante a gestão do então prefeito Ricardo Coutinho (PSB) e no extinto jornal Correio da Paraíba. Em A União, marcou sua passagem com inúmeras criações gráficas, como o Caderno Pensar e a seção Memorial.

A equipe de profissionais do jornal A União receberia outro impacto no dia 12 de dezembro. Morria, aos 62 anos, o jornalista Alexandre Nunes por complicações da covid-19, em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. Ele estava internado no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires e foi intubado por conta do agravamento da doença.

Alexandre era editor, criador e fundador do portal de notícias EspaçoPB. Ele também fazia parte da Secretaria de Estado da Comunicação Institucional, atuando no jornal A União.

O radialista e cronista esportivo Gláucio Lima morreu no último dia 19 de dezembro. Repórter da Rádio Tabajara, que também integra a Empresa Paraibana de Comunicação, Gláucio morreu aos 55 anos, em decorrência de complicações da covid-19. Atuava na equipe de esportes da emissora e estava internado na UTI do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita. Na emissora, Gláucio era o responsável pela cobertura diária do Botafogo paraibano para as resenhas esportivas.

Nessa segunda-feira, 21 de dezembro, mais uma morte. Paulo de Tácio de Oliveira Pinto, jornalista, publicitário e empresário. Vítima de um infarto fulminante, morreu em João Pessoa. Ele tinha 60 anos e era casado com Kaliany Geísa e tinha uma filha de três anos. Considerado um jornalista atuante em várias frentes, Paulo trabalhou nos extintos jornais O Momento e Correio da Paraíba.

As 36 mortes na comunicação em 2020

03/01/2020 – Barbosinha (Sebastião Barbosa), jornalista.

11/02/2020 – Unhandeijara Lisboa (Nandi), artista plástico, jornalista, fotógrafo, escultor e gravador.

01/03/2020 – Socorro Elói (Maria do Socorro Diniz Elói), jornalista e radialista.

21/03/2020 – Maria Avani Rego, radialista.

22/03/2020 – Marcello Piancó, humorista, publicitário, radialista e jornalista.

30/03/2020 – Mateus Zerbone Carlos, publicitário e dirigente de futebol.

09/04/2020 – Levi Borges de Lima, jornalista, advogado, sindicalista, professor, político e defensor público.

13/04/2020 – Francisco Remígio de Araújo (Chico Remígio), advogado e comunicador.

07/05/2020 – Wills Leal, jornalista, professor e escritor.

09/05/2020 – José Walter Vieira Cartaxo, jornalista, radialista, administrador e bacharel em Direito.

22/06/2020 – Marcos Tavares (Severino Marcos de Miranda Tavares), jornalista, escritor, poeta e dramaturgo.

27/06/2020 – Adelson Barbosa dos Santos, jornalista.

28/06/2020 – Eduardo Araújo, advogado, colunista e dirigente de futebol.

28/06/2020 – João de Souza, comunicador esportivo, radialista e jornalista

14/07/2020 – Inaudete Amorim, cantora, publicitária, jornalista e radialista.

18/07/2020 – Humberto Freire (Beto Balanço), radialista e cronista esportivo.

25/07/2020 – Vanuza Ramos, jornalista.

31/07/2020 – José Arnaldo Silva (Arnaldo da Clipsi), jornalista e radialista.

14/08/2020 – Armando Carmelo da Nóbrega, jornalista e escritor.

31/08/2020 – Humberto Lira, jornalista.

04/09/2020 – Reginaldo Dionízio da Silva (Régis do Ponto de Cem Réis), gazeteiro e jornaleiro.

08/09/2020 – Karina Paula Araújo, jornalista.

18/09/2020 – Márcio Justino da Nóbrega, jornalista.

21/09/2020 – Severino Paulo, poeta, repentista e radialista.

04/10/2020 – Beto (Roberto) Palhano, radialista e ativista do movimento negro.

05/10/2020 – Ricardo Prado, jornalista, professor de Educação Física e dirigente esportivo.

12/10/2020 – Armando Abílio Vieira, médico, político e radialista.

19/10/2020 – Klécio Bezerra, designer gráfico e diagramador.

30/10/2020 – Paulo Bonavides, professor, jornalista, constitucionalista e jurista.

06/11/2020 – Everaldo Dantas, jornalista e radialista.

07/11/2020 – Paulo Feitosa, radialista.

19/11/2020 – José Araújo, radialista e servidor público.

08/12/2020 – Antônio Augusto Farias de Albuquerque (Pinguim), radialista e bacharel em Direito.

12/12/2020 – Alexandre Nunes, jornalista.

19/12/2020 – Gláucio Lima, radialista e cronista esportivo.

21/12/2020 – Paulo de Tácio de Oliveira Pinto, jornalista, publicitário e empresário.



Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Divulgação – contato@espacopb.com.br

Comentários: