Portal Espaço PB repercute artigo da professora Raíssa Santos sobre os desafios da educação durante a pandemia

Publicado em: 27/07/2020 às 13:50 - Atualizado em: 27/07/2020 às 13:57
Foto

O Portal Espaço PB traz ao seu público um artigo da professora Raíssa Santos que fala sobre os desafios dos professores longe da sala de aula e as dificuldades com a inovação da aula remota. O artigo foi publicado originalmente no Blog do Rubão e o Portal EspaçoPB entendendo a importância do tema. traz o artigo para os seus leitores.

Confira o artigo na íntegra logo abaixo:

ANO PERDIDO?

por Raíssa Santos*

Em um não tão distante dia, uma aluna habituada a recitar poemas, declamou, dessa vez, sua angústia: “Será que, no próximo ano, os professores irão considerar que eu não aprendi nada com as aulas remotas? Será que irão considerar que o meu ano foi perdido?”.

Tentar acalmar alguém assim, e alguém tão jovem, em desenvolvimento, é complicado, considerando que tal calma ainda não me acometeu e, principalmente, por partilhar das mesmas angústias.

Há um bom tempo, e mais claro ainda após as últimas eleições, vimos um enorme fosso se abrir diante de nós. Não adianta afirmar que são situações discordantes, porque não são! E, agora, mais um debate escancara o que defendemos na política, e, consequentemente, na educação.

Daí, surgem as recorrentes divagações: que tipo de educação é essa que está sendo defendida? O que essas pessoas entendem por educação? Será apenas uma oferta/compartilhamento de conhecimentos?! Ensinar agora ficou restrito ao ‘toma lá, da cá”? Porque, mesmo com algumas dúvidas, vejo cada vez menos reflexão e curiosidade por parte dos alunos – o que é totalmente compreensível – e cada vez mais cobranças e pressão por parte das escolas e de seus radicados.

Será que devo afirmar que a minha sobrinha/pitoquinha de três anos não está tendo uma aprendizagem efetiva quando, ao dizer “ainda não” para as aulas remotas, aprende as letras do alfabeto de forma significativa bem como os números – em inglês também -, tira fotografias lindas, faz desenhos que nos emocionam e ainda reflete sobre o período pandêmico que estamos vivendo, o que, justamente, está faltando em muitos colegas de profissão.

Ensinar/educar sem a mediação de um professor e a convivência com os colegas não deve se restringir a uma abordagem conteudista. E isso não é novidade há décadas. Por que o retrocesso agora? Como afirmar que as crianças estão aprendendo mais passando horas diante de uma tela ao invés de estarem brincando com os pais, irmãos ou mesmo sozinhos, pois a imaginação deles é invejável e sem limites?

Tudo isso sem considerar as desigualdades que nos fazem perder o fôlego, como pensar nas famílias que não têm o que comer e, ao mesmo tempo, precisam manter o celular com internet para atender a pressão, por vezes, ilógica, de professores e dos gestores. Pensar que estamos incluindo nossos alunos de forma eficaz e satisfatória, é, no mínimo, inocência.

Para a minha querida aluna, respondo à sua inquietação sobre o “ano perdido” com a seguinte reflexão: será mesmo este um ano perdido ou será uma oportunidade de não apenas nos conhecermos melhor, mas também conhecermos aqueles com quem convivemos?

Saudades de quando comentei com uma amiga que a minha maior preocupação era com a data de estreia de “Judy” e ela revelou que a sua era a data do desfile do bloco mais elegante do Folia de Rua: Cafuçu!

• Raíssa Santos é professora



Fonte: Espaço PB com Blog do Rubão – Redação: contato@espacopb.com.br

Comentários: