Provavelmente foi acompanhando a carreira do pai, convivendo naquele mundo povoado por personagens que orbitam ou comandam as esferas do poder e da administração pública na Paraíba, que o gosto pela política deve ter aflorado na vida do menino Leopoldo (na foto). O pai, já experiente e calejado pelas agruras que permeiam o mundo político, não queria que o jovem Leopoldo se metesse nesse universo árduo, onde se encontra de tudo: conchavos, acordos, promessas, alianças, traições, abandonos, ameaças...
Não teve jeito. Contrariando a vontade do pai, Leopoldo mergulhou de cabeça na política partidária. Sempre quis ser político e, num passado não tão remoto, integrou a chamada Força Jovem de Cícero. Na vida pública, Leopoldo virou Leo, o Leo Bezerra. Aos 29 anos, em 2012, partiu para sua primeira candidatura a vereador de João Pessoa, pelo Partido Social Democrático (PSD). Foi o 19º candidato mais bem votado, com 3.392 votos. Todavia, devido ao quociente eleitoral, não ficou entre os 21 eleitos (hoje, a Câmara de João Pessoa comporta 29 vereadores). Ficou na primeira suplência.
Uma das definições de política que eu mais gosto é a aquela que diz que política é a arte da paciência. E Leo Bezerra foi paciente. Em 2016, novamente se apresentou para disputar uma vaga na Câmara pessoense. Desta vez pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi o vereador mais votado de João Pessoa, com 7.016 votos.
Foi um mandato frutífero, com uma atuação parlamentar de bom nível, consistente e produtiva. Na tribuna lembrava muito o pai, com discursos fortes e, em certas situações, contundentes e explosivos. Mas, também igual ao pai, sempre respeitador no embate político. Sem ataques pessoais e destrutivos. Tudo no campo do debate e do confronto civilizado.
Em 2020, por pouco não voltou a contrariar a vontade e as orientações do pai. Todavia, cedeu e, mesmo tendo tudo para se reeleger numa campanha tranquila, aceitou ser o candidato a vice-prefeito de Cícero Lucena – do Partido Progressistas (PP) e hoje no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Cícero, que tentava renascer das cinzas, não era o favorito no pleito. Leo corria risco de ficar ao léu... Nem lá, nem lô: fora do Poder Executivo depois de ter abandonado uma reeleição garantida de vereador. Mas a intuição do pai o “empurrou” para uma vitória numa campanha extremamente difícil, com candidaturas fortes e equilibradas. Tudo foi decidido num segundo turno.
Sem entrar no mérito das duas últimas gestões de Cícero, sem apontar falhas, frustrações ou não na gestão municipal, Leo foi exemplar como vice-prefeito, até um tanto incomum pelo que se naturalizou por aí. Geralmente se vê rompimentos, traições, mudanças de rotas ou projetos... Vices querendo engolir e suplantar o titular do cargo; “criatura se voltando contra o criador”. Ao contrário. Leo, que por diversas vezes nos últimos cinco anos e três meses assumiu a titularidade no comando de João Pessoa, manteve-se discreto e produtivo como sempre. Nunca demonstrou querer ocupar espaços, aparecer mais do que deveria ser, puxar o tapete ou constranger o “companheiro de chapa”.
Foi paciente como sempre. Esperou sua hora. Não forçou a barra para se sentar na janela antes do tempo. E é este Leo Bezerra que, na próxima quarta-feira, 3 de abril, por pelo menos dois anos e nove meses, vai dirigir o destino dos cerca de 900 mil habitantes da capital paraibana. Ele tem tudo para amenizar as arestas, eliminar os imbróglios, dar continuidade ao que vem funcionando bem e, principalmente, corrigir o que é para ser corrigido.
Acredito que Leo Bezerra vai ser o meio termo entre o equilíbrio do tio vereador Odon Bezerra (PSB) e o espírito acelerado do pai deputado estadual Hervázio Bezerra (que deve estar a caminho do MDB). O paciente Leo deverá ser um pacificador, mudar – ou pelo menos amenizar – o panorama acirrado previsto para a campanha eleitoral que se avizinha e, em pouco tempo, transformar a cara de João Pessoa. Mesmo sendo o mesmo projeto do antecessor, não tenho dúvidas de que Leo dará outra vida à cidade.
Em 131 anos de história, a capital da Paraíba experimentou 49 gestões diferentes e apenas 39 pessoas sentaram como titulares na cadeira administrativa da cidade. Na época com a nomenclatura de intendente, nomeado pelo presidente do estado (hoje governador), o primeiro prefeito de João Pessoa (na época Cidade da Parahyba) foi Jovino Limeira Dinoá. Ele tinha 57 anos e assumiu em 15 de março de 1895 e ficou no mandato até 30 de novembro de 1904.
No próximo dia 3 de abril, ao tomar posse com a renúncia de Cícero Lucena que sai para disputar o governo do estado, Leopoldo de Araújo Bezerra Cavalcanti, o Leo Bezerra, será o 40º prefeito da história e dará início à 50ª gestão administrativa da capital paraibana. Ele será o terceiro vice-prefeito eleito que ascendeu ao cargo de prefeito. Antes dele, somente Carlos Mangueira, que administrou a cidade de 2 de abril de 1990 a 31 de dezembro de 1992, e Luciano Agra, de 31 de março de 2010 a 31 de dezembro de 2012.
Nascido em João Pessoa, em 2 de agosto de 1983, Leo Bezerra assumirá a prefeitura em definitivo aos 42 anos. A grande maioria dos seus antecessores chegou ao cargo na faixa etária dos 40 ou 50 anos. Os mais novos da história foram Antônio Pereira Diniz, aos 27 anos, que governou João Pessoa entre 5 de setembro de 1935 a 15 de maio de 1936; e Trajano Pires da Nóbrega, aos 29 anos, de 23 de outubro de 1924 a 7 de fevereiro de 1926. Ambos ocuparam o cargo por nomeação.
Contando com Leo Bezerra, das 50 gestões municipais da história da capital paraibana, apenas 19 foram de dirigentes eleitos pelo voto popular (contando com os três vices que herdaram a prefeitura). O primeiro a ser eleito democraticamente foi Osvaldo Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, com mandato de 13 de março de 1948 a 13 de novembro de 1951. Antes disso, ele já tinha ocupado o cargo por nomeação, de 22 de abril a 7 de novembro de 1945.
Já os mandatários nomeados diretamente pelos governos central ou estadual em épocas de convulsão político-social e ditaduras militares somam um total de 26 prefeitos ou intendentes (dependendo da época). Outros cinco foram interventores.
Além de Oswaldo Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, outros seis governaram a capital paraibana por mais de uma vez. Um deles é Walfredo Guedes Pereira, nomeado duas vezes: a primeira vez para o mandato de 23 de outubro de 1920 a 22 de outubro de 1924 e depois para o período de 1º de janeiro de 1935 a 4 de setembro de 1935. Outro também nomeado duas vezes é Damásio Barbosa da Franca: de 4 de abril de 1966 a 8 de março de 1971 e depois de 26 de março de 1979 a 15 de março de 1983. Mais um nomeado duas vezes é Oswaldo Trigueiro: de 16 de junho de 1936 a 20 de agosto de 1938 e de 16 de março de 1983 a 21 de dezembro de 1985.
Cícero Lucena foi eleito quatro vezes, para os mandatos de 1º/1/1997 a 31/12/2000; de 1º/1/2001 a 31/12/2004; de 1º/1/2021 a 31/12/2024; e de 1º/1/2025 a 3/4/2026. Para dois mandatos foram eleitos democraticamente Ricardo Coutinho (de 1º/1/2005 a 31/12/2008 e de 1º/1/2009 a 31/3/2010) e Luciano Cartaxo (de 1º/1/2013 a 31/12/2016 e de 1º/1/2017 a 31/12/2020).
Fonte: Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Arquivo Pessoal – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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