Pelo 14º ano, Brasil é país que mais mata pessoas trans; foram 131 em 2022

Publicado em: 26/01/2023 às 19:55
Foto

Moradora de Perus, na zona noroeste de São Paulo, Priscila Santos, 29, conhecida como Priscila Diva, saiu de casa sem celular e documentos no fim de março do ano passado. Ficou cinco dias desaparecida e, depois de uma campanha de busca, o corpo dela foi encontrado em uma represa em Mairiporã, na Grande São Paulo. Priscila Diva foi uma das 131 pessoas trans e travestis assassinadas no Brasil em 2022 —o número faz parte do "Dossiê Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras", da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais).

Segundo o relatório, o Brasil é o país com mais mortes de pessoas trans e travestis no mundo pelo 14º ano consecutivo. México.

O dossiê, divulgado hoje e entregue ao ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, indica que mulheres trans e travestis têm até 38 vezes mais chance de serem assassinadas em relação aos homens trans e às pessoas não-binárias.

Em números absolutos, o total de mortes em 2022 foi pouco menor do que em 2021 (140). Para a secretária de Articulação Política da Antra, Bruna Benevides, no entanto, não é possível falar em queda —pois há subnotificação dos casos e a diferença é pequena. Para combater a violência contra pessoas trans, ela diz que é necessária a criação de políticas públicas para além das questões ligadas ao sistema de justiça ou segurança pública.

Dados de 80 países reunidos pelo projeto internacional Trans Murder Monitoring (monitoramento de assassinatos de pessoas trans, em tradução livre) mostram que das 4.639 mortes registradas entre 2008 e setembro de 2022: 1.741 ocorreram no Brasil (37,5% do total); 649 no México (14%); 375 nos Estados Unidos (8%).

O levantamento indica que 68% dos casos acontecem na América Latina e Caribe.

O perfil das vítimas Segundo o dossiê da Antra, o perfil das vítimas no Brasil é o mesmo dos outros anos: mulheres trans e travestis negras e empobrecidas. A prostituição é a fonte de renda mais frequente. 76% das vítimas eram negras; 24% brancas.

Nos últimos seis anos, desde que a associação passou a ser responsável pelo levantamento anual das mortes —que antes era feito apenas pelo GGB (Grupo Gay da Bahia)— foram ao menos 912 assassinatos de pessoas trans no Brasil. A média anual é de 121 casos.

 



Fonte: espaçopb@gmail.com com Uol

Comentários: