Opinião: ‘Crônica do ano do renascimento’ (Para Flávio Tavares), por Albiege Fernandes

Publicado em: 11/08/2020 às 19:30
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No ano da (des)graça de 2020, na segunda década do SÉC XXI, quando o mundo foi golpeado pelo vírus selvagem que dizimou somente num país da América do Sul e em apenas quatro meses mais de 100 mil pessoas, um pintor brasileiro, nascido num estado de nome Paraíba, chamado Flávio Tavares, enfrentou a peste dividindo seu talento com a humanidade. Munido por seus pincéis e tendo por reforço a tecnologia de disseminação, o alquimista das cores deu-se a toda pessoa que quisesse vê-lo através do seu processo de criação.

Foram horas de um espetáculo transmitido ao vivo para incontável plateia formada tanto por doutores em artes quanto por iniciados recentes, extasiados com o grandioso conteúdo histórico e plástico que tomava forma, segundo a segundo, de acordo com o manejo perfeito dos artefatos e a misteriosa sintonia com a imaginação do artista. A engenhosidade criativa de Flávio Tavares cobriu de saberes seus seguidores seja na história do seu estado (O Mundo de Zé Lins) seja no aprendizado sobre as cores e a admiração pelos elementos componentes de um dos mais belos ateliês.

Flávio já vinha de alguma forma compensando, por assim dizer, os dissabores impostos ao povo brasileiro desde o golpe do ano de 2016 quando a adolescente democracia daquele país tropical fora imperiosamente (yankes) violentada. Com o painel ‘Brasil, o Golpe’ o artista registrou, com luzes, cores e emoções muito pessoais – na História das Artes, a maior humilhação perpetrada contra uma nação que por suas riquezas adquirira recentemente autonomia econômica e cívica. O artista chorou por seu país; como um revolucionário, imprimiu a dor na tela para jamais ser esquecida.

Domingo, 8 de agosto do ano da (des)graça de 2020, Flávio Tavares finalizou talvez uma das mais significativas obras da série ‘Diário da Quarentena’, considerando o contexto do isolamento e as autodescobertas dos confinados: ‘A multiplicidade do Ser’. Monocromático, um espelho reflete as múltiplas faces de uma mulher em sofrimento de parto, do parto de si, parto à fórceps, extraindo do mais isolado filamento do útero, sua única identidade.

Albiege Fernandes, 11 de agosto de um ano futuro.



Fonte: Espaço PB – Foto: Internet – contato@espacopb.com.br

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