Diante dos temas importantes que tendem a tomar conta do plenário e com, até o momento, sete deputados estaduais já envolvidos e anunciados pré-candidatos nas eleições municipais deste ano, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) poderá se transformar num dos principais palcos da disputa eleitoral. Já pensando nisso, o presidente da Casa, deputado Adriano Galdino (PSB), “coloca a barba de molho” e começa a pensar em medidas de precaução.
Mesmo que o problema seja mais pertinente às Câmaras Municipais, o tema já preocupa o Legislativo estadual. “Desde o começo do ano que penso nesse assunto e, assim que a campanha começar, devo me reunir com os líderes de bancada para orientar os parlamentares a não usarem a Casa como palanque eleitoral”, afirmou, esta semana, o presidente Adriano Galdino, ao salientar que, em conversas separadas, já começou a tratar do assunto com alguns parlamentares, especialmente com aqueles que já têm seus nomes mais envolvidos na disputa pré-eleitoral.
Ele disse que o debate é normal e salutar, e que, em tempo de eleições, a Casa sempre tem parte dos seus integrantes disputando ou apoiando candidatos, mas que o mais importante “é saber distinguir a tribuna do palanque. Separar bem essas duas coisas sempre foi bom, não somente para a Casa, mas para o próprio parlamentar”, disse.
Galdino destacou que, depois do período das convenções partidárias e das definições sobre quem entra e quem não entra mesmo na disputa eleitoral, terá reuniões para tratar mais objetivamente do assunto.“Ano de eleição é sempre um ano atípico e recebemos muitas influências externas na Casa. Por isso é importante que o equilíbrio predomine entre todos”, frisou ele, adiantando que também vai orientar os que não são candidatos a não contribuírem, levando ou trazendo conflitos para aqueles que estão diretamente envolvidos na disputa eleitoral”.
Alguns parlamentares com mais experiência também chegaram a ser ouvidos e se anteciparam apoiando de pronto a iniciativa do presidente. Ele lembra que 2020 está repleto motivos para acirramento fácil, a começar pelo andamento da ‘Operação Calvário’, que ainda ensaia mais desdobramentos, sem contar o natural acirramento entre críticos e apoiadores do bolsonarismo, que virou tira-teima de rotina e não somente de campanha eleitoral.
Cautela e afastamento
“O presidente Adriano Galdino sempre foi correto comigo e sempre foi cumpridor de palavra, e eu não vou criar problemas para ele, não”, garante o deputado estadual WallberVirgolino (Patriota), que é apontado como polêmico e que na campanha se colocará como “representante maior” do bolsonarismo na capital.
Ele promete que não vai radicalizar, nem dentro nem fora Assembleia Legislativa. “Primeiro porque o presidente e a Casa não merecem que a tribuna seja transformada em palanque e, em segundo lugar, porque a população, além de também não merecer, não quer saber mais disso, não. Quer saber de proposta e de projetos para a cidade”, disse.
“João Pessoa está cansada de molecagem e dessa guerra que não leva a nada”, afirma o deputado, ao antecipar que, para evitar qualquer problema, está pensando até em se afastar do mandato. “Palanque deve ser armado fora e não dentro da Assembleia”, diz.
Para ele, “a população de João Pessoa e do país de um modo geral não quer mais saber desse negócio de político, um esculhambando o outro. Os resultados disso têm sido desastrosos e de desgaste, como se vê, com consequências maiores para a própria classe política do país”. Se realmente vier a se afastar no período da campanha, Virgolino abrirá vaga para o suplente Janduhy Carneiro(ex-deputado por dois mandatos). Na linha de reforço de sua campanha, ele também tem o deputado estadual Cabo Gilberto(PSL), que é o coordenador-geral de sua tentativa de chegar à prefeitura da capital.
Campanha propositiva e de serviços
O pré-candidato do PT à prefeitura de João Pessoa, deputado estadual Anísio Maia (na foto), também acha que o presidente da Assembleia Legislativa está com razão quando alerta sobre a necessidade de se separar tribuna de palanque eleitoral. E também garante que, de sua parte, a campanha será de muita proposta e de apresentação dos serviços que seu partido já fez pela cidade e pelo país.
“Concordo plenamente que a campanha não descambe para o baixo nível, mas isso nem dentro nem fora do Poder Legislativo”, afirma Anísio Maia, ao acrescentar que “os parlamentares colocados como pré-candidatos têm experiência e discernimento para entender isso, e devem contribuir para uma campanha de muito debate sobre os graves problemas da capital”.
Anísio alerta para um fato importante: “O PT está mesmo interessado em fazer e mostrar sua marca nos serviços e nas obras desta cidade e deste Brasil. Em João Pessoa, assim como em todo o Brasil, o período do PT foi marcado por avanços sociais que ninguém pode negar. Muito diferente desses desgovernos que começaram com Temer e que continuaram com Bolsonaro”.
“Quanto à preocupação de a candidatura ser misturada com a função de deputado, o presidente da Assembleia Legislativa pode ficar tranquilo. Tribuna é tribuna e palanque é outra coisa”, comentou Anísio Maia.
Os pré-candidatos Wilson Filho(PTB) e Eduardo Carneiro(PRTB), que pretendem disputar a prefeitura da capital, também concordam com Anísio e Virgolino no sentido de que os trabalhos da Assembleia Legislativa não sejam afetados pelo calor da campanha. “Isso, em respeito ao próprio povo, é o mínimo que nós candidatos devemos fazer”, afirma Wilson Filho, um dos primeiros deputados estaduais a se lançar na disputa pela prefeitura de João Pessoa.
Disputa com equilíbrio
Na disputa pela confirmação de candidatos à Prefeitura de Campina Grande, o deputado Tovar Cunha Lima (PSDB) também concordou que a campanha política não pode e nem deve ser misturada com os trabalhos de parlamentar. “Claro que ainda dependemos da confirmação da candidatura, mas equilíbrio é uma coisa que defendemos para todos os momentos e que, numa campanha, é que precisamos considerar”, entende o deputado Tovar Cunha Lima (PSDB), ao concordar com as preocupações previamente manifestadas pelo presidente da Assembleia Legislativa.
Em Campina Grande, ele trabalha sua candidatura juntamente com mais um deputado, Inácio Falcão(PCdoB), mas no campo interno de grupo político ainda disputa o apoio do prefeito Romero Rodrigues (PSD) com o ex-deputado estadual Bruno Cunha Lima (PSDB). Na quinta-feira (6), o deputado estadual Manoel Ludgério (PSD), que também era pré-canditado, desistiu da disputa em apoio a Bruno Cunha Lima.
Tovar acredita nas suas condições, mas reconhece que as definições ainda vão demorar por alguns dias. De uma coisa, no entanto, ele “tem absoluta certeza”: se realmente entrar na disputa, os campinenses (ele e Inácio) farão uma campanha que tribuna e palanque não terão como se misturar.
Sem polêmica em Patos
Bem mais discreto e pouco afeito a polêmicas na tribuna da Assembleia, o oitavo deputado pré-candidato a prefeito nas próximas eleições é Érico Djan(Cidadana), de Patos. Até mesmo por essa sua postura, que, aliás, já é bem conhecida na Assembleia, ele seria o último a criar eventuais problemas para o presidente da Casa.Discreto até mesmo com a imprensa, Érico Djan costuma aparecer mais nas emissoras de rádio de Patos, por onde, aliás, nas duas últimas semanas somou dois apoios importantes para se consolidar como candidato.
Primeiro foi o do governador João Azevêdo(Cidadania) e, depois, de Dinaldo Wanderley Filho, que já foi prefeito e deputado estadual. Teoricamente, uma campanha de Érico Djan jamais traria problemas para a Assembleia. “O negócio dele é trabalhar muito e polemizar nada”, confidencia um assessor.
Até às definições oficiais de candidatos, outros nomes entre os 36 deputados estaduais poderão aparecer. Esse é o caso, por exemplo, de parlamentares como João Gonçalves(Podemos), que a cada quatriênio que passa sonha sempre com a Prefeitura de João Pessoa. Perguntado se toparia uma candidatura, ele nunca diz não. “Estamos na luta e sempre trabalhando pela cidade”, afirma Gonçalves, ao lembrar que está voltando para o seu mandato e que no período em que esteve na Secretaria da Articulação Política não fez outra coisa senão trabalhar pela cidade.
Fonte: Espaço PB com jornal A União (Ademilson José) – Foto: Divulgação – contato@espacopb.com.br
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