O prédio do antigo Hotel Tropicana, há anos abandonado no Bairro do Cordão Encarnado, próximo ao Centro de João Pessoa, caminha para se transformar em um dos mais importantes projetos sociais da cidade e do estado, incluindo, entre outros benefícios, assistência jurídica, psicológica, policial e até mesmo abrigo para mulheres em tratamento de saúde ou ameaçadas, que estejam precisando se afastar temporariamente de suas moradias e comunidades de origem.
‘Casa da Mulher Brasileira’. Esse é o nome do empreendimento que nasceu ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que será o pioneiro na Região Nordeste e que, desde o mês passado, teve seus preparativos de concretização retomados pela senadora paraibana Nilda Gondim (MDB) - na foto -, inclusive com garantia inicial de recursos na ordem de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões oriundos de uma emenda de sua autoria, e o outro um quarto de bilhão de uma outra emenda parlamentar do seu filho, o também senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (que está deixando o PSB para ingressar no MDB).
“A Defensoria Pública da Paraíba já tem um projeto pronto, já estamos articulando recursos de emendas de outros parlamentares e, nos próximos dias, juntamente com a presidente nacional do MDB Mulher, Fátima Pelaes, vamos continuar a buscar mais recursos junto a outras fontes”, garantiu, nessa sexta-feira (12), em entrevista por telefone, a senadora Nilda Gondim.
Entre essas outras fontes, ela incluiu o governo do estado, a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) e a própria ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que, segundo a senadora, “certamente não se furtará de também participar da realização desse empreendimento social”, especulou.
Ela estima que, pela própria amplitude do prédio do antigo Hotel Tropicana e do projeto em si, a ‘Casa da Mulher Brasileira’ em João Pessoa se constituirá, “sem dúvida, no maior espaço de apoio e acolhimento de mulheres de toda a região, podendo, depois, ser levado também para alguns dos maiores municípios do estado”.
Nilda Gondim disse que, depois do lançamento em 2013 (período ainda do governo Dilma e quando a paraibana era deputada federal), somente alguns poucos estados do sul do país, realmente tocaram a ideia. Mas que, agora, durante a pandemia do novo coronavírus, quando os problemas se agravaram muito mais, “precisa ser retomado e aplicado, até mesmo como forma de oferecer mais uma alternativa de apoio e guarida para as mulheres brasileiras”.
“A Defensoria Pública da Paraíba também está na linha de frente de tudo isso em termos de planejamentos e organização”, projeta a senadora. O apoio jurídico com advogadas de ofício será um dos principais serviços a serem oferecidos, passando por inclusão de delegacia, participação de psicólogos e também de outros profissionais de brinquedotecas para os filhos das mulheres assistidas. “Valendo ressaltar”, diz a senadora, “o acolhimento temporário efetivo para aquelas menos favorecidas que precisam de proteção por parte dos poderes públicos”.
A senadora revelou que, pela própria necessidade de uma profunda reforma do prédio abandonado há vários anos, não se pode fazer previsões para poucos meses, mas que as providências estão sendo contínuas. “Até agosto ou setembro, quando os recursos das emendas poderem ser alocados, estaremos empenhados no trabalho de conseguir mais recursos, com a obra podendo ser concretamente iniciada ainda este ano”, previu.
Ela acrescentou que, por se tratar de João Pessoa como sede desse pioneirismo, o governador João Azevêdo (Cidadania) e o prefeito da capital, Cícero Lucena (Progressistas), serão duas das principais autoridades com as quais pretende conversar, assim que possível, o mesmo ocorrendo com os demais parlamentares da bancada paraibana no Congresso Nacional, a começar pela também senadora campinense Daniela Ribeiro (Progressistas).
“Quando entro numa causa eu sou muito determinada”, afirma a senadora, que já foi deputada federal e que, “desde criança, tem a política como aprendizado nos próprios espaços domésticos”. Ela é filha do ex-governador Pedro Gondim, viúva do ex-deputado federal Vital do Rêgo e mãe dos senadores Veneziano e Vital do Rêgo Filho, esse último, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Nilda Gondim revelou ainda que outro apoio importante que vem recebendo é o do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). “Ele não se dispôs a ajudar somente no projeto da ‘Casa da Mulher Brasileira’. Recentemente, ampliou a participação da mulher no parlamento, criando a bancada feminina que, com liderança, voz e voto, atuará com o mesmo poder de reivindicação das demais bancadas da Casa”, completou.
Lentidão do governo federal
Vacinada esta semana num posto de saúde de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, onde reside sua filha, a senadora Nilda Gondim lamentou o estado de gravidade a que chegou à pandemia no país, e atribuiu isso a duas coisas: “Primeiro, à lentidão com que o governo federal tratou as providências, especialmente no que se refere à compra de vacinas; e, em segundo lugar, a falta de conscientização de muita gente da população que insiste em não seguir as regras básicas de proteção”.
Para a senadora Nilda Gondim, “o governador João Azevêdo agiu corretamente quando ampliou as medidas de restrições e quando partiu para a ampliação urgente de leitos na capital e em outros municípios do estado. É assim que a realidade precisa ser encarada e enfrentada e precisamos apoiar o governador nesse sentido”, disse.
“É inegável que faltou sensibilidade no presidente Jair Bolsonaro (sem partido)”, lamentou a senadora, ao lembrar que, ao invés de subestimar e protelar medidas, “ele é quem deveria ter tomado a frente das medidas, organizando um plano de combate à doença e de proteção da população”.
Mas somado a tudo isso, a senadora adverte que inegável também é a falta de conscientização de uma expressiva parcela da população que insiste em não se precaver. “É muita gente que não faz o uso da máscara como deveria e que não cumpre à risca os demais cuidados amplamente divulgados pelos órgãos de saúde”, lamentou.
Ela afirmou que o somatório de tudo isso é que tem colocado o Brasil numa das situações mais preocupantes do mundo inteiro e que, infelizmente, tem exigido muito mais esforços da parte de muitos profissionais de saúde. “Agora mesmo pela manhã (na sexta-feira, 12), contou a senadora, soube de mais uma família quase inteira que morreu vítima da covid-19. São muitas mortes todo dia no país”, concluiu ela, apelando por mais empenho das autoridades e da própria população.
Fonte: Espaço PB com jornal A União (Ademilson José) – Foto: Divulgação – contato@espacopb.com.br
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