Detentos constroem telescópios e doam a escolas públicas na Paraíba

Publicado em: 25/12/2022 às 14:59
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Quatro detentos da cadeia pública de Esperança, no Agreste da Paraíba, estão produzindo ferramentas que dão a possibilidade de enxergar além do céu: telescópios. A ideia do projeto partiu do diretor da unidade prisional Lindemberg Gonçalves Lima, que sempre teve apreço pela astronomia e encontrou dentro da unidade prisional outros com o mesmo interesse.

Em junho de 2022, Lindemberg resolveu introduzir a proposta dentro da cadeia como um meio de ressocialização com os presidiários. “A ideia surgiu da minha paixão pela astronomia e do desejo de promover a ressocialização dos nossos reeducandos”, diz o diretor.

A ressocialização de pessoas privadas de liberdade é um processo que utiliza de procedimentos pedagógicos para que detentos possam contribuir com a sociedade fora do ambiente prisional. O projeto foi intitulado como “Esperança no Espaço”.

“Desde criança eu tenho paixão pela astronomia, mas foi uma matéria sobre a sonda Voyager 2, em uma revista, em 1989, que me fez estudar sobre o assunto”, explica Lindemberg Gonçalves.

A produção dos telescópios acontece praticamente todos os dias, e Lindemberg Lima explica que os quatro reeducandos foram escolhidos por critérios comportamentais observados dentro da unidade prisional. “[Eles foram escolhidos pelo] comportamento e interesse pelo projeto, mostrando vontade de mudar de vida, mas queremos expandir esse número [de participantes]”, explica.

De acordo com a direção da unidade prisional, a parceria da distribuição dos telescópios para as escolas do município consiste, em contrapartida, no suporte de professores da rede municipal de ensino para lecionarem para os detentos.

A partir do ensino promovido dentro da unidade prisional, dois apenados conseguiram prestar o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL), e conseguiram ingressar em cursos de graduação no ensino superior nas áreas de gestão pública e pedagogia. Além disso, os reeducandos que participam do projeto têm direito a remissão da pena, que na base de cálculo da unidade prisional, a cada 3 dias trabalhados para o projeto, 1 dia é diminuído da pena do indivíduo.

Participante do projeto, Antônio Ramos relatou que tem sido uma experiência enriquecedora poder produzir materiais científicos dentro da prisão e que a educação adquirida dentro da unidade prisional tem sido um diferencial para a construção intelectual do indivíduo.

“Estou aqui fazendo um trabalho de educação informal, aprendendo dentro da cadeia, e levando [o trabalho] para a comunidade, para as crianças e as escolas”, explica.

Como funcionam os telescópios

Oito telescópios foram produzidos na cadeia Pública de Esperança e outros cinco estão em fase final de produção. Após a confecção do primeiro telescópio, ele foi apresentado em julho para a juíza da 1ª Comarca de Esperança, Paula Frassinete Nóbrega de Miranda, que decidiu apoiar o projeto doando verbas de prestação pecuniária para viabilizar a proposta financeiramente, na aquisição de recursos necessários.



Fonte: espaçopb@gmail.com com G1

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