Colapso nos serviços funerários ameaça capital paraibana

Publicado em: 13/03/2021 às 01:45
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O risco de saturação no sistema funerário na Região Metropolitana de João Pessoa está cada dia mais próximo. Ao perceber essa “situação caótica” em que principalmente os cemitérios públicos de João Pessoa se encontram, a Secretaria do Desenvolvimento Urbano (Sedurb) iniciou um plano de organização com o intuito de evitar a saturação do sistema funerário pessoense.

Com a escassez de vagas, a Sedurb observou que os cemitérios estão à beira de um colapso semelhante à crise que já acometeu outras capitais do país. Durante a primeira fase do planejamento (em ação desde janeiro), a secretaria lidou com o volume crescente na demanda por vagas, o que deixa os cemitérios pessoenses mais perto de atingir o preenchimento total das covas públicas.

A degradação permeia toda a região metropolitana e a situação é parecida nos municípios que fazem parte da Grande João Pessoa. Santa Rita, Bayeux e Cabedelo também sofrem com o aumento no número de mortes em decorrência da pandemia e, portanto, com a crescente demanda no sistema funerário.

Dentro do quadro atual, que foge à normalidade, a situação crítica tem se potencializado nas últimas semanas, com os recordes de mortes por covid-19 e aponta para um colapso iminente. Por isso, a Sedurb trabalha com a possibilidade de realizar os sepultamentos em instituições privadas; afastando a chance de que a atual gestão enfrente um colapso funerário. Caso esta decisão extrema tenha que ser posta em prática, a população não deve se preocupar, pois os enterros realocados para instituições particulares serão realizados sem custos, segundo informações da assessoria da Secretaria do Desenvolvimento Urbano.

Sepultamentos

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), o paraibano hoje trabalha mais de 50 dias para arcar com os custos de um funeral comum, que custa cerca de R$ 2,5 mil. Os cemitérios de João Pessoa, por exemplo, oferecem covas rotativas, em que os serviços de exumação de corpos, em cinco das seis instituições públicas da cidade, variam de R$ 30,00 a R$ 50,00, e os sepultamentos e eventos funerários vão de R$ 40,00 a R$ 75,00. No Cemitério São José, do Bairro de Cruz das Armas, no entanto, o oferecimento de terrenos é perpétuo e custa pouco mais de mil reais.

As informações são de um levantamento realizado pelo Procon-PB e apontam, também, que em alguns dos cemitérios particulares da região polarizada por João Pessoa, são oferecidos planos funerários de até R$ 18 mil.

Os serviços de sepultamento correspondem, segundo a Abredif, a 13,65% dos custos totais de uma morte, enquanto transporte do corpo e despesas com urnas somam 56,49% dos gastos. Com as medidas que restringem o contato humano, entretanto, essa média pode cair, já que um velório com decorações e outros recursos equivale a 29,85% de toda a cerimônia.

Cemitérios de Patos

Na tarde da última segunda-feira (8), a quantidade de mortes pelo novo coronavírus em Patos, no Sertão da Paraíba, dava um salto de 114 para 143 óbitos, um acréscimo de 25,43%. Eram 29 óbitos a mais, confirmados em decorrência da doença, com relação ao boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde de 31 de dezembro de 2020. No mesmo período, também teve um aumento bastante expressivo nos números de casos da doença ativa, que foi de 7.522 para 9.958 pessoas infectadas.

A crescente nas estatísticas ligou o sinal de alerta na administração municipal de Patos que, conforme o secretário de Serviços Públicos, Josimar de Azevedo Barbosa, os quatro cemitérios públicos já se preparam para lidar com um possível aumento da demanda de sepultamentos em decorrência de óbitos da covid-19 e evitar um colapso do serviço funerário, como já ocorreu em diversos lugares.

“A nossa preocupação é de estarmos preparados para organizar e minimizar a dor das famílias, para que elas possam dar um sepultamento digno aos entes que serão perdidos. Por isso, já estamos realizando algumas medidas para que a gente possa ter um funcionamento adequado do sistema funerário na cidade de Patos”, disse o secretário.

As medidas preveem a recuperação das ruas dos cemitérios, ações de higienização e desinfecção dos túmulos, trabalho de paisagismo, vacinação dos coveiros, entre outros. A cidade de Patos, desde abril de 2020, segue algumas restrições e protocolos de segurança para velórios e sepultamentos.

Nos casos de óbitos, suspeitos ou confirmados, por covid-19, não é permitido velório e apenas cinco familiares podem acompanhar o enterro. Os familiares em questão não podem ter tido contato com a pessoa falecida e devem estar assintomáticos durante o período de 14 dias antes do óbito. Pessoas com mais de 60 anos, pessoas com doenças crônicas e pessoas com suspeita de covid-19 não devem comparecer ao cemitério. Também é proibido o procedimento de tanatopraxia (preparação do cadáver).

Caso a recepção da urna mortuária ocorra fora do horário de atendimento cemiterial, o serviço funerário poderá armazenar a urna, excepcionalmente, em área restrita e designada para esse fim, e com a devida segurança até a abertura das atividades do cemitério. E, após o transporte final da urna mortuária, o serviço funerário deverá proceder à desinfecção completa do veículo utilizado, apresentando a devida comprovação.

Nos casos de óbitos que não estejam relacionados à covid-19, as durações máximas do velório são de três horas, seguindo o imediato sepultamento. O limite, nesse caso, é de dez pessoas por velório e enterro, não sendo permitida a presença de pessoas com sintomas respiratórios. É proibida também a disponibilização de alimentos e é obrigatória a disponibilização de água, sabão, papel toalha e álcool em gel a 70% para higienização das mãos durante todo o velório e após o sepultamento.

Há também a possibilidade de as famílias contratarem diretamente serviços funerários privados. O único cemitério jardim de Patos está localizado na Rodovia BR-230, na altura do quilômetro 328, na Vila Mariana, em frente ao Parque Religioso Cruz da Menina. O Memorial Jardim da Paz conta com salas para velório, suítes privativas para repouso, espaço para realização de missas e cultos, amplo estacionamento, além de atendimento e segurança 24 horas. Por ser novo, o parque cemitério tem apenas uma quadra construída, com 640 lotes. Desses, 40% ainda estão disponíveis, a um valor de R$ 10 mil.



Fonte: Espaço PB com jornal A União (Carol Cassoli e Lusângela Azevêdo) – Foto: Reprodução – contato@espacopb.com.br

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