A Praça João Pessoa, localizada no Centro da capital paraibana, será palco a partir das 9h desta terça-feira (21) de uma mobilização popular que marcará o Dia Nacional das Tradições das Raízes Africanas e Nações do Candomblé. No ato, o grupo Movimento Mulheres de Terreiro (MMT) também vai cobrar das autoridades a restauração da imagem de Iemanjá (na foto), instalada na orla de João Pessoa, no final da Avenida Cabo Branco.
Há oito anos a imagem de Iemanjá vem sofrendo com o vandalismo e a intolerância e o racismo religioso. A cabeça da orixá foi arrancada e até hoje o monumento continua sem a atenção das autoridades responsáveis pelos espaços públicos da cidade. Iemanjá é uma divindade africana das religiões Candomblé e Umbanda. O seu nome tem origem nos termos do idioma Iorubá (língua nígero-congolesa) “Yèyé omo ejá”, que significam “mãe cujos filhos são como peixes”.
A mobilização na Praça João Pessoa (também conhecida como a Praça dos Três Poderes) está sendo coordenada pelo Movimento Mulheres de Terreiro, com a parceria do Movimento de Mulheres Negras (MMN). No ato, um dossiê será entregue na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) e na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), contendo toda a trajetória de luta nesses últimos oito anos pela restauração do monumento a Iemanjá vandalizado.
Mãe Dulce, mulher de terreiro, diz que a manifestação desta terça-feira é um grito da população contra o racismo religioso. “É um grito sobre o silenciamento dos nossos governantes em relação à destruição de um patrimônio cultural afrodescendente que não foi e não é respeitado por eles”, desabafa.
Outra mulher de terreiro, Tânia Correia, também não esconde o constrangimento: “O dia 21, Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial, é também mais uma data de reflexão acerca das diversas formas de discriminação e preconceito. Para nós, povo de religião de matriz africana, é dia de produzir falas e ações de combate à intolerância religiosa e o racismo religioso. Estamos presenciando diariamente em nosso estado um dos mais preconceituosos do país e do Brasil, atos de vandalismo aos nossos templos religiosos, como também agressões físicas e orais contra a nossa crença”, denuncia.
A psicóloga e ativista Hildevânia Macedo destaca a parceria do Movimento de Mulheres Negras na luta pela restauração da imagem de Iemanjá e contra o racismo religioso. “Nós nos juntamos com as mulheres de terreiro para ecoarmos o nosso grito de reparação da estátua aos poderes públicos. Também neste 21 de março pautarmos o debate do racismo religioso e a reflexão do porquê a imagem de Iemanjá degolada não gera comoção?”
Ela ressalta a indiferença da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) com a imagem de Iemanjá. “Um dos maiores símbolos da religião de matriz africana, degolada há oito anos, mesmo com os apelos da população para sua restauração”, ressalta.
Fonte: Espaço PB com Assessoria (Fátima Sousa) – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
Comentários: