Artigo: Minha vida fora do corpo – Jorge Rezende

Publicado em: 04/06/2026 às 22:59
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No decorrer da nossa existência, certas ocorrências experimentadas terminam ficando só pra gente. Guardadas entre as quatro paredes secretas da alma. Fatos que evitamos comentar ou não tentamos explicar pra ninguém. São assuntos que podem despertar perplexidade em outras pessoas e que nos melindram à exposição. O receio de ser tachado de maluco ou de mentiroso acaba sendo uma barreira. Muita coisa a gente carrega no íntimo da lembrança, fica só para nós e findamos em levar “esses segredos” para o túmulo. Acredito que esses sentimentos ou narrativas são comuns a todos. Uns mais, outros menos, mas todo ser humano tem lá pelo menos um tema tabu pra chamar de seu.

Um dos meus assuntos evitados, tratado sob uma forte autocensura, será agora revelado: já saí do corpo algumas vezes de forma consciente; de maneira involuntária ou, na maioria dos episódios, num processo proposital, provocado. O interessante é que essas minhas “viagens astrais” ocorreram com mais frequência na minha adolescência. Poucas vezes na vida adulta e há pelo menos uma década essas experiências não ocorrem mais – também não me esforço mais pra isso.

Se há algumas pessoas que já me definiam como portador de algumas esquisitices, acredito que, com essa revelação, esse público deve aumentar. Mas fazer o que? Este espaço semanal de A União nasceu justamente para tratar de temas que a maioria prefere ignorar ou fazer de conta que não existem. Todavia, sair do corpo é mais comum do que pensamos. E eu tive essas experiências, compartilhadas na maioria das vezes com meu irmão Totonho (Marcos Rezende). Os detalhes desses fatos vão ficar guardados para um outro futuro texto sobre o tema... Prometo!

E o que me faz revelar este meu segredo de até então? A resposta está no bom jornalismo, que ultimamente está raro. E eu explico: há pouco mais de uma semana, uma reportagem sobre o tema – que deve ter passado despercebidamente por muita gente – foi publicada em um portal de notícias considerado de boa reputação. Sem oba-oba e fugindo da espetacularização comum hoje em dia na Internet na caça por clicks de visibilidade inútil, visando somente a monetização, a seção Saúde, do Portal G1, trouxe a seguinte reportagem: ‘Sensação de sair do próprio corpo: viagem astral é relatada por um em cada cinco brasileiros em pesquisa sobre experiências incomuns’.

A reportagem postada no último dia 24 de maio, e assinada pela jornalista Silvana Reis, registra uma pesquisa com mais de 11 mil participantes indicando também que déjà vu, sonhos lúcidos e sensação de presença invisível aparecem em grande parte da população. Do francês, déjà vu (já visto) é a sensação intensa de que você já vivenciou ou presenciou uma situação atual antes, mesmo sabendo racionalmente que é a primeira vez que acontece. Já um sonho lúcido é quando você percebe que está sonhando enquanto o sonho ainda está acontecendo.

A sensação de sair do próprio corpo físico, conhecida popularmente como “viagem astral”, segundo a reportagem, “pode ser muito mais comum do que se imaginava”. E a jornalista aponta um estudo publicado na revista científica Nature Communications Psychology que mostra que cerca de um em cada cinco brasileiros afirma já ter vivido ao menos uma experiência desse tipo ao longo da vida. A pesquisa, conduzida por cientistas apoiados pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e pela iniciativa Idor Ciência Pioneira, também revela que outras experiências consideradas “fora do comum” – como ouvir vozes sem fonte aparente – fazem parte da vida da maioria da população. Pra quem tiver interesse, vale a pena procurar a matéria no G1. No meu caso, a reportagem (bastante extensa) me estimulou a revelar um dos meus segredos.

No Espiritismo, sair do corpo conscientemente é chamado de desdobramento ou emancipação da alma. “É a separação temporária entre o corpo físico e o perispírito (corpo espiritual). Ocorre naturalmente todas as noites durante o sono, mas exige preparação moral e elevação para acontecer com total lucidez”. A saída consciente é um fenômeno natural que envolve princípios básicos: quando o corpo físico dorme e relaxa, o espírito se desprende parcialmente, mas continua ligado a ele pelo chamado “cordão de prata” (feixe energético vital).

Todavia, faço um alerta: não é bom buscar a saída do corpo apenas por curiosidade ou recreação. O objetivo deve ser o autoconhecimento e um aprendizado no plano espiritual.



Fonte: Espaço PB com jornal A União (texto originalmente publicado na seção Memorial, na edição do dia 2 de junho de 2026) – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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