Seu pet não é gente: veja quando os cuidados de luxo podem ser prejudiciais à saúde do animal

Publicado em: 23/11/2025 às 13:20
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O veterinário Diego Vitor alerta sobre os riscos dos tratamentos estéticos excessivos e como eles podem afetar o bem-estar dos bichinhos

Cada vez mais, os pets se tornam parte da família, mas até que ponto os cuidados "de luxo" são realmente benéficos para eles? No Brasil, o mercado de produtos e serviços para animais de estimação já movimenta bilhões, com tratamentos que vão de banhos aromáticos a terapias alternativas. Mas enquanto os tutores buscam oferecer o melhor para seus cães e gatos, especialistas alertam para o risco de exageros. O que parece um mimo inofensivo pode, na verdade, causar desconforto, estresse e até afetar a saúde dos bichinhos.

 

Entre os serviços mais procurados estão os tratamentos estéticos, como alisamento de pelos, penteados e até massagens. Porém, nem tudo que brilha é ouro, alerta Diego Vitor, veterinário e especialista em anestesiologia. Segundo ele, muitos desses serviços não oferecem benefícios reais para os animais e, em alguns casos, podem ser até prejudiciais.

"Práticas como chapinhas nos pelos, por exemplo, são feitas para agradar os tutores, mas não atendem às necessidades dos pets e podem prejudicar a pelagem, que tem uma função protetora natural", explica ao GLOBO.

No entanto, Diego reconhece que não é errado cuidar da aparência do pet, desde que esses cuidados sejam voltados para o bem-estar animal. "Raças como Shih Tzus e Poodles têm pelos que embaraçam com facilidade, e manter a pelagem desembaraçada é uma questão de saúde, pois os nós podem causar desconforto e até problemas de pele", diz.

Terapias alternativas: relaxamento ou exagero?

As terapias alternativas, como acupuntura, musicoterapia, aromaterapia e cromoterapia, também têm ganhado destaque nos centros de estética pet. Embora a acupuntura tenha se mostrado eficaz para tratar dores e problemas de mobilidade, outras práticas carecem de comprovação científica.

"A acupuntura tem eficácia comprovada no tratamento de dor e distúrbios neurológicos. Já a musicoterapia e a cromoterapia carecem de estudos suficientes para comprovar seus benefícios diretos para os animais. Elas podem ser usadas como tratamentos complementares, mas não substituem a medicina convencional", aponta o veterinário.

Banhos excessivos e cosméticos: o risco das alergias

Apesar de parecer inofensivo, o uso excessivo de cosméticos e banhos aromáticos pode ser prejudicial para os pets. Diego afirma que banhos muito frequentes podem comprometer a barreira natural da pele do animal: "Os banhos frequentes removem a camada lipídica da pele, responsável por proteger contra fungos e bactérias. Sem essa barreira, o animal fica mais vulnerável a dermatites e alergias."

 

Além disso, o uso de perfumes e cosméticos com fragrâncias fortes pode causar irritações e alergias. "Os produtos químicos desses cosméticos podem alterar o pH da pele do pet, causando coceiras, vermelhidão e, em casos mais graves, até lesões na pele", completa o especialista.

Roupas e acessórios: muito cuidado com o conforto

Com o crescimento do mercado pet, também aumentaram as opções de roupas, sapatos e acessórios. Embora muitos tutores achem fofas essas roupinhas para os pets, é importante sempre priorizar o conforto do animal.

"Se o pet mostrar sinais de desconforto, como ofegância, irritabilidade ou resistência ao toque, é sinal de que o acessório não está adequado", destaca. Diego recomenda que, antes de vestir o pet, o tutor observe se a roupa permite liberdade de movimento e se não está causando estresse no animal.

O impacto do excesso de cuidados

Apesar das boas intenções, o excesso de cuidados e mimos pode gerar efeitos negativos. "A humanização exagerada, quando o tutor trata o pet como uma pessoa, pode prejudicar os instintos do animal", pontua veterinário. Ele enfatiza que isso pode dificultar a socialização dos pets e, em muitos casos, desencadear problemas de comportamento, como ansiedade, insegurança e até agressividade.

Diego sugere que, para manter a saúde emocional dos pets, é necessário garantir uma rotina equilibrada, que envolva brincadeiras, interação com outros animais e estimulação mental. "O enriquecimento ambiental é essencial. Atividades físicas, como caminhadas e brincadeiras, são cruciais para o bem-estar emocional dos pets", acrescenta.

Equilíbrio é a chave

A principal recomendação para os tutores é sempre observar o comportamento do animal. "Se o pet começar a apresentar sinais de estresse, desconforto ou mudanças no comportamento, é sinal de que é hora de reavaliar os cuidados oferecidos", orienta. Diego Vitor, que também está se especializando em Clínica de Pets Não Convencionais, revela que o segredo está no equilíbrio:

 

"O bem-estar do animal deve ser sempre a prioridade. O excesso de mimos pode ser prejudicial, mas o cuidado bem-planejado e que atenda às necessidades do pet é essencial."



Fonte: Espaço PB – O Globo - Foto: Freepik: contato@espacopb.com.br

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