Semana marca as mortes do ex-deputado Simão Almeida há quatro anos e do cineasta Manoel Clemente ocorrida há dois anos

Publicado em: 28/12/2025 às 08:05
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Esta segunda-feira (29) marcará os quatro anos da morte do ex-deputado estadual Simão Almeida (na foto), um dos principais nomes da história do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na Paraíba. Engenheiro elétrico, Simão de Almeida Neto era o diretor-presidente da Junta Comercial da Paraíba (Jucep) quando morreu aos 77 anos, em dezembro de 2021, por complicações decorrentes da covid-19.

Simão foi eleito para a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) em 1990, com 4.538 votos. Natural da cidade de Cabaceiras, o paraibano nasceu a 9 de janeiro de 1944. Sofreu prisão e perseguição durante a ditadura militar instaurada no Brasil em março de 1964 por sua atuação contra o regime. Formado em Engenharia Elétrica, em fins de 1968 mudou-se para Recife (PE), onde, em fevereiro de 1969, teve a sua casa invadida pela polícia. Passou, então, a viver na clandestinidade, até a promulgação da Lei de Anistia.

Pelo PCdoB, disputou nove eleições. A primeira delas foi em 1988, quando foi candidato a vice-prefeito de João Pessoa na chapa de Antônio Arroxelas (PDT), que ficou na quarta posição entre os sete candidatos. Na eleição de 1990, elegeu-se deputado estadual. Em 1994, obteve 7.615 votos, mas não conseguiu a reeleição à ALPB.

Em 1996, Simão Almeida candidatou-se a vice-prefeito na chapa de Lúcia Braga (PDT), que levou a disputa para o segundo turno contra Cícero Lucena (PMDB), que se elegeu prefeito da capital paraibana. Dois anos depois, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, recebendo 11.820 votos, não conseguindo se eleger. Ele também não conseguiu uma vaga na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) em 2000, obtendo 1.322 sufrágios.

Seu melhor desempenho eleitoral ocorreu em 2002, quando candidatou-se ao Senado Federal e recebeu 113.405 votos (50.711 foram do eleitorado pessoense). Não disputou nenhum cargo eletivo em 2004 e 2008, e não foi bem-sucedido nas eleições de 2006 (4.291 votos para deputado estadual) e 2010 (3.816 votos), sua última eleição estadual.

Simão Almeida começou sua militância social e política nos anos de 1960, no movimento estudantil secundarista, na cidade de Campina Grande. Militou na Juventude Estudantil Católica (JEC), na Juventude Universitária Católica (JUC), na Ação Popular (AP) e, por volta de 1973 e 1974, entrou para o PCdoB. Clandestino, participou da resistência contra a ditadura militar. Durante anos, trabalhou e morou na região do Bico do Papagaio, antigo norte de Goiás, hoje Tocantins, participando de tarefas relacionadas à Guerrilha do Araguaia.

Depois da Anistia, em 1979, retornou à Paraíba, tornando-se uma liderança política respeitada pelo campo democrático e progressista, e muito querido pela militância comunista. Soube associar o papel de liderança política com o trabalho de construção do partido, quando ajudou a formar novas gerações de revolucionários.

Já o próximo domingo (4), marcará os dois anos da morte do professor e cineasta paraibano Manoel Clemente da Penha. Ele morreu aos 90 anos, em janeiro de 2024, na capital paraibana (onde nasceu), e é apontado como uma figura importante para a comunicação e o cinema na Paraíba. Ele ingressou como professor na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1980 e exerceu a docência no Departamento de Comunicação (Decom), do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), até a sua aposentadoria, em 2003.

Quando da sua morte, o também professor e cineasta João Lima destacou: “Clemente acompanhou as gerações de jovens que queriam fazer cinema, porque ele tinha uma habilidade fantástica que era cinegrafia. Praticamente formou todos esses jovens que vêm dos anos de 1970 pra cá, com interesse na arte fotográfica, não só foto fixa, como foto animada. A cinematografia propriamente dita”.

Manoel Clemente atuou como diretor de fotografia do clássico documentário ‘O País de São Saruê’, de Vladimir Carvalho. Exerceu a mesma função em filmes como ‘A Bolandeira’, ‘Pedra da Riqueza’, ‘Menino de Engenho’, ‘Fogo Morto’ e ‘Romeiros da Guia’. Ele fez mestrado em cinema na Universidade de São Paulo (USP). Sua dissertação de se transformou no filme documentário ‘Epopéia do Sisal’, de 1993.

Mortes na história da Paraíba

# 29/12/2020 – Azuir Lessa da Silva, médico radiologista;

# 29/12/2021 – Simão de Almeida Neto, político, engenheiro elétrico e militante comunista;

# 29/12/2024 – Haroldo Lucena, engenheiro, político e gestor público;

# 30/12/1930 – João de Lyra Tavares, político, contador, comerciante, biógrafo, escritor professor, economista, poeta, jornalista e promotor público;

# 30/12/1940 – Theodomiro Ferreira Neves Júnior, tipógrafo e poeta;

# 30/12/2018 – Alexandre Coronago, apresentador de tevê;

# 30/12/2019 – Antônio de Oliveira Jatobá, empresário;

# 30/12/2022 – Antônio de Pádua Lima Montenegro, desembargador;

# 30/12/2023 – Francisco de Assis Braga Júnior (Júnior Braga), político e servidor público;

# 30/12/2024 – Nestor Alves de Melo Filho, desembargador;

# 31/12/1972 – Diógenes Caldas, jornalista, agrônomo, pesquisador e poeta;

# 31/12/1979 – Monsenhor Pedro Anízio Bezerra Dantas, sacerdote, escritor, sociólogo e jornalista;

# 31/12/1981 – Estelina Apolinário de Gouveia (“Mãe Ester”), parteira;

# 31/12/1994 – José Cavalcanti da Silva (Zé Cavalcanti), jornalista, político, poeta popular, cordelista, folclorista e escritor;

# 31/12/2017 – João Gomes da Cruz (Jota Gomes, o Cowboy do Asfalto), radialista;

# 31/12/2020 – José Dantas Irmão (Zelão, o “Rei do Caldo de Mocotó”), empresário;

# 31/12/2021 – Décio Freire (“Narrador Emoção”), radialista, narrador e cronista esportivo;

# 31/12/2023 – Emanoel Gledston Dantas Licarião, médico cardiologista;

# 01/01/1986 – Ezilda Milanez Barreto, jornalista, professora, filósofa e escritora;

# 01/01/2020 – Amenemar Tenório de Barros, artista plástico, decorador, compositor, instrumentista e escritor;

# 01/01/2021 – José Oscar Lustosa de Oliveira, médico;

# 02/01/1977 – José Leal da Silva, jornalista e radialista;

# 02/01/2003 – Severino Quirino de Farias (Fogãozinho), radialista e radioator;

# 02/01/2021 – Antônio Ricélio de Oliveira, político e médico ginecologista e obstetra;

# 02/01/2021 – Guilherme Augusto Costa Vasconcelos, médico;

# 02/01/2023 – José Cavalcante Júnior, repórter-fotográfico;

# 03/01/1990 – Inácio Bento de Morais, político;

# 03/01/2019 – Joaquim Veríssimo de Sousa, político;

# 03/01/2020 – Barbosinha (Sebastião Barbosa), jornalista;

# 03/01/2021 – Carlos Alberto de Freitas (Carlinhos de Deodato), empresário e administrador público;

# 04/01/2022 – José Maria Fontinelli, radialista e cronista esportivo; e

# 04/01/2024 – Manoel Clemente da Penha, cineasta e professor universitário.



Fonte: Espaço-PB – Foto: Walter Rafael – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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