Relançamento de ‘Agonia na Tumba’ marca três décadas de Tarcísio Pereira na literatura

Publicado em: 13/11/2025 às 06:15 - Atualizado em: 13/11/2025 às 11:49
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O que pode se passar na cabeça de alguém que, ao acordar de repente, descobre que está preso num túmulo, depois de ter sido enterrado vivo? Partindo dessa indagação, o escritor e dramaturgo Tarcísio Pereira escreveu e publicou, nos idos da década de 1990, o romance ‘Agonia na Tumba’, na época publicado pela Editora Universitária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em duas edições que esgotaram rapidamente.

Na noite desta quinta-feira (13), a mesma obra será relançada, agora numa edição comemorativa que marca os trinta anos de estreia do autor paraibano na literatura, justamente com essa obra que agora é editada pela Selinho Editorial, do poeta e escritor Antônio Mariano de Lima. O evento acontece na sede da Academia Paraibana de Letras (APL), no Centro Histórico de João Pessoa, a partir das 18h.

O evento é aberto ao público e, além do lançamento de ‘Agonia na Tumba’, haverá exposição de outras obras do autor publicadas ao longo das últimas três décadas, além de outros títulos da editora. A apresentação do livro será feita pelo escritor, poeta e acadêmico Thélio Farias, membro da APL e presidente da Academia de Letras de Campina Grande (ALCG). A animação ficará por conta da viagem sonora do instrumentista e vocalista James Nóbrega, com amplo repertório da música clássica e contemporânea.

Tarcísio Pereira também estará comemorando o seu aniversário de 60 anos, justo na mesma data, em evento cultural que marca sua estreia como escritor, desde sua estreia com esse livro que causou um grande impacto junto à crítica e aos leitores. ‘Agonia na Tumba’ é um romance que conta a história de um homem que foi enterrado vivo. Tudo se passa a partir do momento em que ele desperta dentro do caixão e já sepultado, e passa a lutar pela vida e por sua sobrevivência num estado de delírios e alucinações em que evoca várias situações para entender o motivo de encontrar-se ali. “Psicologia, mistério e suspense dão o tom dessa narrativa repleta de situações novelescas e surpreendentes”, segundo palavras do próprio autor.

Na época de seu lançamento, o livro foi bem recepcionado pela crítica tanto na Paraíba quanto em outros estados, todos com a opinião de que se trata de uma alegoria sobre situações de dificuldades e luta por sobrevivência. “Li atentamente o romance ‘Agonia na Tumba’, que a Universidade da Paraíba escolheu para inaugurar uma atividade editorial importante. O romance é uma realização difícil, operada com grande domínio técnico, guardando sempre a marca do escritor já dominando amplamente o seu oficio”, escreveu Nelson Werneck Sodré.

“Novela surpreendente, carregada de lances inesperados, escrita com mão de mestre. Enriquece de forma positiva a ficção de hoje. Um verdadeiro achado”, registrou Henrique L. Alves. “Apanhei o livro para dar uma olhada, começar a ler um pouco, mas fiquei grudado nas páginas e só o larguei após a última linha. Realmente é uma narrativa fascinante pelo insólito, pelo inesperado, pela angústia, pelo humor, pela agilidade, pela penetração etc.”, ressaltou Fernando Peixoto, à época do lançamento da primeira edição da obra.

J. Solha também registrou: “O livro tem um elemento poderosíssimo, que arrasta o leitor não-iniciado para dentro de si como um Édipo Rei ou um Hamlet: mexe com um arquétipo! (...) Romance de suspense, Tarcísio opera nele com virtuosismo impressionante a limitação de elementos que se propôs usar no tratamento do tema: o de um homem que acorda dentro de um caixão de defunto e já enterrado”.

“Agonia na Tumba, primeiro romance do jovem escritor paraibano Tarcísio Pereira, é, na verdade, temática e ideologicamente, uma intensa metáfora da própria condição humana no mundo moderno e contemporâneo. Há algo nele do homem solitário e anônimo, do homem sem saída, herói problemático que tanta tinta fez correr pelo rio verbal que nasce em Joyce, Kafka, Faulkner e tantos outros criadores delirantes da modernidade”, apontava Hildeberto Barbosa Filho.

Selinho Editorial é uma marca registrada do escritor, poeta e editor Antônio Mariano, criada para publicações de suas obras e edições pontuais de escritores relevantes da literatura local. Pontuais porque não é o projeto competitivo no mercado editorial, sem intenção, inclusive, de construir um vasto catálogo. É, portanto, um projeto fechado, em que os autores não vão em busca do editor, mas o contrário.



Fonte: Espaço-PB com Assessoria – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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