Na última segunda-feira, dia 4 de agosto, durante a transmissão semanal do programa institucional do governo da Paraíba, uma fala do governador João Azevêdo (PSB) – talvez sem nenhuma importância para a maioria dos ouvintes da Rádio Tabajara – chamou-me a atenção: “Se não for para transformar a vida das pessoas para melhor, não vale ser governador. Fica em casa deitado numa rede. Essa é a minha lógica de fazer política pública”.
Esse conjunto de frases transportou-me para quase sete anos atrás, quando realizei uma longa entrevista com o então eleito e diplomado governador João Azevêdo, cinco dias antes de sua posse no dia 1º de janeiro de 2019, data em que a entrevista foi publicada no jornal A União. Aquele técnico que, ao longo do tempo, havia exercido diversas funções públicas e se transformara em um político, destacava naquele dezembro de 2018: “A melhor política é aquela que se faz produzindo em benefício da população. Durante toda a minha vida me dediquei exatamente a isso: produzir obras, programas, projetos voltados especificamente à população. (...) Nada na vida que não precise ser aprimorado, ser requalificado. (...) Se eu trabalhava dez, doze horas por dia, passarei a trabalhar quatorze, quinze horas por dia, sem problema algum”.
Este é o mesmo João, o de 2018 e o de 2025. O João que, sem querer, acabou forjando o slogan da campanha governamental de 2018, quando, ao se apresentar pela primeira vez ao público em um comício, já como candidato oficial ao governo da Paraíba, tentou citar o seu nome completo. Mas, ao iniciar o “meu nome é João...”, houve um estardalhaço no ambiente e ele não terminou a frase. Como davam-lhe a pecha de que era apenas um técnico e não um político e que era desconhecido da população paraibana, o “meu nome é João” caiu como uma luva para os marketeiros do PSB.
E se enganam hoje aqueles que acham que João ainda não faz política de um “político profissional”. Pode-se até discordar (e eu mesmo discordo em alguns pontos) e apontar um certo “marasmo” de João Azevêdo no que diz respeito a uma definição de quem será o agente político de sua base a ser o ungido como candidato à sua sucessão no governo da Paraíba, nas eleições do ano que vem. É só prestar a atenção: João está, sim, fazendo a boa política de utilizar bem o tempo – e suas falas – para não atropelar o processo eleitoral de 2026. Enquanto aliados “se acotovelam” para lançarem seus projetos como pré-candidatos a governador, João continua comedido. João Azevêdo é o mesmo técnico e gestor público de 2018, mas forjou, com o tempo, o fazer política ao seu modo... Não se enganem: o político João aprendeu, também, a ser político. Um político aprimorado e requalificado.
Aquele técnico que começou como engenheiro do Instituto de Previdência do Estado da Paraíba (Ipep), lá em 1979, hoje tem posturas e frases como esta, proferida por ele também nesta semana: “Eu faço política de grupo, tento, e estou tentando até hoje. Não me cansarei, e não vou parar de tentar a unidade de todo o grupo. Mas se alguém decidir com vontade própria que tem um projeto pessoal e que não quer estar junto com a gente, ninguém obriga ninguém a caminhar junto”.
Professor aposentado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), João Azevêdo formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1978 e fez pós-graduação em Metodologia de Escola Técnica. Entre 1980 e 1983, atuou como diretor da divisão de Planejamento Habitacional do Instituto de Saúde dos Atendentes (Ipep); de 1983 a 1984, integrou a liderança da Consultoria de Planejamento Econômico da Urban; de 1984 a 1985, gerenciou a divisão de infraestrutura do Programa Cidades de Médio Porte, tornando-se, pouco tempo depois, coordenador-geral desse programa; e de 1986 a 1989, tornou-se secretário de Serviços Urbanos da cidade de João Pessoa.
Pouca gente sabe ou se lembra, mas em 2004 João Azevêdo foi secretário de Planejamento da cidade de Bayeux. Antes de chegar ao governo da Paraíba e depois reeleito, João ainda foi na capital paraibana, em 2005, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb); assessor da Secretaria de Planejamento (Seplan); secretário adjunto da Secretaria de Habitação de João Pessoa; e, entre 2007 e 2010, secretário da Infraestrutura.
No estado, em 2011, foi indicado a secretário do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Ciência e Tecnologia. Posteriormente, em 2015, quando houve a fusão desse cargo administrativo com o secretário da Infraestrutura, passou a assumir o cargo de secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, permanecendo no cargo até 5 de abril de 2018, quando saiu para ser candidato a governador.
E só pra lembrar alguns trechos daquela entrevista de dezembro de 2018: “Ninguém projeta o futuro esquecendo o passado. Entretanto, o passado fica no passado. Serve como experiência, mas você tem que estar sempre pensando do presente pra frente. Não existe possibilidade na vida, pelo menos na minha forma de ver, de você ficar preso ou no presente ou no passado. Você sempre tem que dar um passo à frente. É isso que move e motiva as pessoas”.
E João Azevêdo cravava: “São novos desafios que aparecem a cada dia e, acima de tudo, a possibilidade de você fazer mais e melhor. Tenho uma meta. É fazer com que pessoas diferentes tenham as mesmas oportunidades. (...) Minha missão de governador é muito mais do que um projeto pessoal. Não tinha projeto pessoal de ser governador. Não acordei um dia e disse: ‘Quero ser governador do estado’. Estou hoje nesta condição por uma série de fatores. Entendo isso como uma grande missão, que me honra demais. Vou cumprir da melhor maneira possível. (...) Acho que quando você faz política de inclusão, quando você faz com que cada vez mais pessoas possam partilhar o desenvolvimento do estado, isso pra mim é o objetivo maior do governo”.
Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Francisco França – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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