Ministério da Saúde confirma cinco casos da subvariante BA.2 da ômicron no Brasil

Publicado em: 05/02/2022 às 22:15
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O Ministério da Saúde confirmou no início da tarde deste sábado (5) que o Brasil registra cinco casos da subvariante BA.2 da ômicron. São dois casos da linhagem em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a BA.2 já é a principal responsável pelas infecções de covid-19 nas Filipinas, Qatar, Índia e Dinamarca. A subvariante BA.1 da ômicron, “versão original” da cepa, foi a principal responsável pelo aumento de casos no mundo desde o fim de 2021.

Não é possível cravar muitas certezas sobre a subvariante BA.2, mas um estudo preliminar feito por cientistas na Dinamarca apontou que a nova versão é 33% mais contagiosa que a cepa predominante no mundo, a BA.1. Até por isso, Boris Pavlin, chefe da equipe de resposta contra a covid-19 da OMS, disse que a BA.2 está começando a substituir a cepa original e deve se tornar dominante em outros países. No entanto, a subvariante não parece levar a formas mais graves da doença, indica a OMS.

Kleber Luz, infectologista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica o que são as subvariantes de um vírus. “Em todos os vírus RNA as cópias, ‘os filhotes’, para que a gente possa entender, geralmente são diferentes dos pais. Então, chama-se de mutação e essa mutação pode ganhar uma capacidade maior de produzir doença mais grave ou de aumentar a transmissão. No caso, a ômicron e essa nova subvariante têm uma transmissibilidade maior”, detalha.

O infectologista destaca que, embora as infecções pela ômicron sejam, em sua maioria, mais leves, quanto maior o número de casos, maiores são as chances de ocorrências graves, principalmente em idosos. Segundo Luz, a vacinação continua sendo importante para minimizar as chances de internação e morte pela covid-19. A explicação para isso é que o organismo vacinado já está “treinado” para combater uma infecção pelo novo coronavírus.

“A vacina ensina o sistema imunológico a se defender da doença e ele fica capacitado a controlar a replicação do vírus, portanto você tem menos forma grave. Então, ainda que a vacina escape, ou seja, o vírus produz a doença nas pessoas vacinadas, o sistema imunológico por ter sido treinado pela vacina vai fazer uma doença menos grave. A recomendação de tomar a vacina continua”, defende.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a sublinhagem BA.2 da ômicron não tem impacto no diagnóstico laboratorial e eficácia dos imunizantes. “Até o momento, não existem evidências relacionadas à nova linhagem que demonstrem mudanças na transmissibilidade, quadro clínico, gravidade ou resposta vacinal”, diz a pasta.

Segundo o Instituto Butantan, os sintomas mais comuns entre os infectados pela ômicron são febre, coriza, dor de garganta e dor no corpo. Sintomas específicos para a subvariante BA.2 não foram divulgados. Em geral, os sinais são bem diferentes da infecção por outras cepas, como perda de paladar, olfato e tosse seca, por exemplo.

Na última quinta-feira (3), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou em nota técnica que 13 estados brasileiros apresentaram aumento das taxas de ocupação de leitos de UTI para pacientes com covid-19. Nove unidades federativas estão na zona de alerta crítico, pois estão com ocupação acima de 80% (Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul).

A maioria dos estados, no entanto, está em níveis de alerta médio ou baixo para a ocupação dos leitos de UTI. Os pesquisadores ressaltaram que “a elevadíssima transmissibilidade da variante [ômicron] pode incorrer em números expressivos de internações em leitos de UTI, mesmo com uma probabilidade mais baixa de ocorrência de casos graves”.



Fonte: Espaço PB com Brasil61 (Felipe Moura) – Foto: Peter Illicciev/Fiocruz – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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