Memorial com 215 obras de Abelardo da Hora é inaugurado em João Pessoa pelo governo paraibano

Publicado em: 30/03/2022 às 10:50
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O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), inaugurará nesta quinta-feira (31) o Memorial Abelardo da Hora (MAH), que resguarda o acervo assinado pelo artista plástico pernambucano, famoso por esculpir corpos em concreto e bronze. O equipamento cultural está instalado no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, e a inauguração acontece às 16h, com a presença de autoridades e familiares do artista.

O evento contará ainda com o lançamento do livro ‘Poemas Reunidos’, de Margarida Lucena da Hora, esposa do artista, paraibana nascida na cidade de Guarabira, na Região do Brejo do estado. Conforme explica o presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, Pedro Santos, a estrutura do memorial foi concluída em 2020, quando recebeu a instalação do projeto expográfico e luminotécnico.

“Com o avanço da pandemia, houve a necessidade de aguardar o momento propício para a realização do transporte das obras, que foi cuidadosamente acompanhado pela família do artista”, comentou. O patrimônio de arte deixado pelo escultor pernambucano passou a pertencer à Paraíba em outubro de 2018, quando o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) esteve em Recife, capital pernambucana, onde assinou o termo de doação das obras do artista.

Para transportar o acervo de Recife para João Pessoa foram necessários sete caminhões baús, além de equipamentos específicos, como caminhões guindastes, paleteiras manuais e içadores para lidar com cerca de 18 toneladas de obras de arte. Avaliado em R$ 11 milhões, o acervo inclui esculturas monumentais, além de peças em bronze e cimento, cerâmicas, tapeçarias e pinturas, totalizando 215 obras.

Para receber o acervo, o governo da Paraíba investiu aproximadamente R$ 1 milhão com a construção da estrutura que abrigará o memorial, a contratação e implantação dos projetos expográficos e luminotécnicos, além dos serviços de transporte das obras de arte e de montagem do acervo. A logística de transporte também contou com o apoio da Polícia Militar da Paraíba.

Após a inauguração, o memorial ficará aberto para visitação pública. Além de promover o acesso da população ao acervo, incluindo atividades educativas, a Funesc também realizará cursos, debates e eventos a partir da obra de Abelardo da Hora e de temas abordados pelo artista, como direitos humanos, democracia e as lutas sociais.

Para Maria Botelho, diretora do MAH, o papel socioeducativo da instituição museológica deve refletir sobre a trajetória de vida e produção artística de Abelardo da Hora, transformando seu legado em fonte de inspiração e referência para futuras gerações. “‘Abelardo de todas as horas’, termo cunhado por Paulo Bruscky em 1988, é sem dúvida a expressão que reflete com maior precisão a dimensão atemporal do artista Abelardo da Hora. De tal forma, a instituição museal reúne um acervo pungente e absolutamente atual de um artista modernista que representou como nenhum outro a cultura erudita e popular brasileira”.

Ainda de acordo com o presidente da Funesc, Pedro Santos, a inauguração do Memorial Abelardo da Hora integra um conjunto de ações que envolve a construção e a requalificação de equipamentos culturais na Paraíba. Desde 2019, foram entregues pelo governador João Azevêdo o Teatro Santa Catarina, em Cabedelo; o Centro de Referência da Renda Renascença e do Artesanato, em Monteiro; o Museu da Cidade de João Pessoa; e o Museu Casa do Artista Popular Janete Costa. Além desses, estão programadas as entregas da Biblioteca Pública Augusto dos Anjos e da Escola Técnica Estadual de Artes, ambas em João Pessoa.

Abelardo da Hora é reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros e deixou um acervo com quase 300 peças, entre esculturas, telas e outras obras. Nasceu em 1924, na cidade de São Lourenço da Mata, em Pernambuco. Cursou Artes Decorativas no Colégio Industrial Professor Agamenon Magalhães e o Curso Livre de Escultura da Escola de Belas Artes do Recife.

Além da trajetória que o consagrou como um dos grandes nomes das artes plásticas do Brasil, sobretudo no campo da escultura, teve grande participação na vida política como dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), integrando a luta pela redemocratização do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960. Foi casado com a poetisa paraibana Margarida Lucena da Hora, nascida na cidade de Guarabira, com quem teve sete filhos: Lenora, Sandra, Leda, Ana, Sara, Iuri e Abelardo Filho. Ele morreu em Recife, em 2014, aos 90 anos.



Fonte: Espaço PB com Secom-PB – Foto: Divulgação – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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