Mais de 80% dos médicos na Paraíba dizem já ter sofrido violência no local de trabalho

Publicado em: 13/02/2026 às 01:15
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Em 2024, foram registrados mais de 4,5 mil boletins de ocorrências nas delegacias de Polícia Civil dos estados brasileiros e do Distrito Federal, por situações de ameaça, injúria, desacato, lesão corporal, difamação, furto, dentre outros crimes, acontecidos em unidades de saúde. Ou seja, a cada duas horas, um profissional de saúde sofreu algum tipo de violência em seu local de trabalho. São 12 agressões diárias a profissionais de saúde, em seu ambiente de trabalho, conforme levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Na Paraíba, pesquisas realizadas pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) também revelam números alarmantes. A pesquisa do CRM-PB ouviu 611 médicos, em 2025, sobre sua saúde mental e foi mostrado também que esses profissionais são vítimas de violência em ambientes de trabalho.

Conforme o estudo, 80,4% (493 médicos) disseram já ter sofrido violência verbal enquanto exerciam seu trabalho. Os dados mostram ainda: 9,5% (58 médicos) sofreram violência física, 62,2% (381 médicos) sofreram violência moral, 5,2% (32 médicos) sofreram violência sexual e 37,2% (228 médicos) passaram por situação de discriminação.

Já o levantamento do Simed-PB, realizado em setembro de 2025, revelou que 90% dos médicos pediatras  que trabalham nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa disseram sentir-se inseguros em seus ambientes de trabalho.

Para discutir soluções, ações e iniciativas que mudem essa realidade, o CFM realizou, em parceria com o CRM-PB, na terça-feira (10), em João Pessoa, o evento Segurança no Exercício da Medicina, com a presença de diretores do CFM, do CRM-PB, da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) e do governo do estado, além de médicos e representantes das entidades médicas.

O evento discutiu a Resolução CFM 2.444/25, publicada no Diário Oficial em setembro do ano passado, mas que entra em vigor no próximo mês de março, e que estabelece medidas de segurança para situações de violência em unidades de saúde, como controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns, instalação de botão de pânico, dentre outras iniciativas. A Resolução também obriga o diretor técnico a notificar agressões sofridas por médicos ao CRM, à autoridade policial e ao Ministério Público.

O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, ressalta que os profissionais de saúde não devem ser responsabilizados pelas falhas do sistema de saúde. “Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área, como maqueiros, recepcionistas, técnicos de enfermagem. A violência contra qualquer pessoa é inadmissível. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não o responsabilizar pelas falhas no atendimento”, afirma.

“A dignidade do exercício do médico deve ser resguardada como de interesse público. É inadmissível que profissionais dedicados à preservação da saúde e da vida humana atuem sob ameaça constante, sem qualquer garantia de proteção ou amparo institucional. A Resolução CFM 2.444/25 é um marco ético e normativo necessário, com o foco de restaurar o mínimo de segurança e respeito à missão médica”, afirma o relator da Resolução e conselheiro federal pelo Rio de Janeiro Raphael Câmara Medeiros Parente.



Fonte: Espaço PB com Assessoria (Luciana Oliveira) – Foto: CFM – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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