Filha de poeta e cordelista paraibano redesenha personagem criada pelo pai e levanta críticas ao machismo e racismo

Publicado em: 16/04/2022 às 08:15
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Jovem negra matuta do interior nordestino, Nobelina é extremamente audaciosa. Ela busca estudo, liberdade e igualdade de gênero; uma verdadeira feminista em plena década de 1960. É essa protagonista inspiradora que dá nome e conduz o enredo do romance de estreia da escritora e poetisa paraibana Cibele Laurentino.

Herdeira de José Laurentino, um dos maiores poetas do Nordeste brasileiro, Cibele fez da cultura local a maior inspiração para suas produções. Nascida no berço da literatura de cordel, foi a personagem do poema homônimo do pai ‘Eu, a cama e Nobelina’ que ganhou vida pelas mãos da escritora.

Tanto no poema quanto no livro, Nobelina é uma jovem belíssima e humilde, que deseja ser dona do próprio destino. Na contramão de sua vontade, ela foi criada para se tornar a mulher ideal diante de uma sociedade neocolonial, machista e patriarcal: esposa e dona de casa exemplar.

Ao ganhar uma história para si, a personagem mostra força. Com personalidade visionária, quebra barreiras para realizar o sonho de ser professora e, por meio da educação, fazer a diferença naquela sociedade conservadora. O que ela não esperava era se apaixonar e agora precisa escolher entre um futuro promissor ou o destino que lhe foi imposto.

– Oxe, mãe! Não quero ter a sua vida. Quero estudar, ser professora, ganhar meu dinheiro. Ser independente – saiu chorando, murmurando pela roça, pensando em uma forma de mudar a ideia do pai (‘Nobelina’, página 30).

Apesar de a história se passar no Nordeste brasileiro, a autora quer mostrar que assuntos polêmicos, como a misoginia, machismo, homofobia e violência doméstica, continuam presentes em todos os lugares.

Com ilustrações de Alberto Dias, a obra ainda evoca as riquezas culturais do povo nordestino; destaca a religiosidade, devoção às tradições locais e a autenticidade do folclore. Cibele Laurentino também presenteia os leitores com a riqueza linguística do dialeto matuto, a partir de expressões populares.

O livro ‘Nobelina’, da Plus Editora, tem 300 páginas e está ao preço de R$ 40,00 na Amazon e com a própria autora, que nasceu em Campina Grande (PB), é formada em Gestão em Turismo, cursa Letras e é estudante de escrita criativa. O gosto pela leitura e escrita começou na infância, por influência do pai: é filha do saudoso Zé Laurentino, poeta, cordelista e escritor. Além disso conviveu com poetas populares, cordelistas, cantadores de viola e emboladores de coco.

‘Cactus – Poesias, sentimentos e emoções’ foi seu primeiro livro publicado, no qual a poesia é explorada por meio de sentimentos, momentos e dores de forma modernista. Já ‘Nobelina’, publicado pela Plus Editora, é seu romance de estreia e agraciado pelo Prêmio Maria Pimentel.

Contatos e mais informações pelas redes sociais: Instagram: @cibelelaurentino; Facebook: Cibele Laurentino; e Twitter: @cibelelaurentin



Fonte: Espaço PB com Assessoria – Foto: Divulgação – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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