Além de tentar conscientizar a população sobre a necessidade de não abandonar seus animais de estimação e de incentivar ajuda aos protetores e organizações não-governamentais que atuam na defesa dos animais, a ativista da causa animal Fabíola Rezende lamenta a falta de políticas públicas voltadas à criação e manutenção de abrigos de cães e gatos nos municípios paraibanos.
“Na verdade, praticamente não existem ações voltadas à instalação, construção e manutenção de abrigos de animais por parte do poder público na Paraíba. Aqui mesmo na região de João Pessoa, o que existe são alguns protetores abnegados que mantêm abrigos por conta própria, mas que estão superlotados”, alerta Fabíola Rezende, presidente da ong Ajude Anjos de Rua, que não tem um abrigo de animais e conta com a parceria de protetores independentes que atuam como “lares temporários” e que intermediam adoções definitivas.
“As autoridades têm que se conscientizar de que esse problema é uma questão de saúde pública e de bem-estar não só para os animais, mas para toda a sociedade”, aponta a ativista, lembrando que os gastos mensais de boa parte das ongs ultrapassam os R$ 50 mil, com a demanda diária por resgates, busca constante por novos espaços para abrigar os animais e gastos em clínicas veterinárias. “Os poucos voluntários que fazem parte da rotina de uma ong e os protetores independentes de cães e gatos passam também por dificuldades”, acrescenta Fabíola.
Ela ainda destaca um dado alarmante: tem crescido o número de pessoas que procuram essas instituições com o objetivo de “doar” seus animais de estimação. “É muito triste. Muitas pessoas ainda procuram as ongs para entregar seus animais quando encontram qualquer dificuldade para cuidar deles”, lamenta Fabíola, ressaltando que a maior parte das justificativas dos donos de gatos e cães é de mudança de endereço, a redução de renda, casos de divórcio e separações”. “Tem justificativa de todas as naturezas”.
A maioria das ongs e protetores independentes, segundo Fabíola Rezende, está passando por uma dificuldade de recursos financeiros e humanos muito grande. “Isso piorou com a pandemia, com a redução de voluntários e até a falta de eventos de adoção. E aqui na Região Metropolitana de João Pessoa – o que se repete no interior do estado –, as pessoas não estão encontrando ongs ou associações com disponibilidade para aceitar um animal”.
A ong Ajude Anjos de Rua, criada por Fabíola Rezende em novembro de 2015, atua na região polarizada pela capital paraibana (e no interior do estado em alguns casos) e hoje congrega milhares de seguidores nas redes sociais, com a atuação e apoio de voluntários da causa animal, e seu foco está no resgate de animais em situação de rua, vítimas do abandono e dos maus tratos.
A protetora da causa animal Fabíola Rezende, aos 47 anos, atualmente é a primeira suplente de vereadora do seu partido, o Cidadania, na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). Nas eleições de 2020, ela obteve 3.350 votos, tendo como principal bandeira a defesa do bem-estar e luta contra os maus tratos a animais.
Nas eleições de 2018, Fabíola disputou um mandato de deputada estadual na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) pelo mesmo Cidadania (ex-PPS), obtendo 6.445 votos. Sem nenhuma estrutura financeira ou logística, ela recebeu votos espontâneos em 118 dos 223 municípios paraibanos. Desses 6.445 votos recebidos, 4.972 foram registrados em João Pessoa, o equivalente a 77,1% do total do seu sufrágio obtido em todo o estado.
Sua primeira candidatura foi nas eleições municipais de 2016, quando ainda estava no PSB, e Fabíola Rezende lançou-se candidata a vereadora da capital paraibana. Em um cenário com 502 candidatos a 27 vagas na Câmara Municipal de João Pessoa, ela obteve 1.307 votos.
Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Arquivo Pessoal – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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