Em contato com a Redação, o historiador Jair Silva Ferreira solicitou ao Espaço PB, “em nome do bom jornalismo e por uma questão de democracia”, a publicação de uma nota do Movimento Negro de Campina Grande (MNCG), rebatendo uma outra nota anterior, emitida pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), relacionada ao mandato da vereadora Jô Oliveira, da Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG). Jair Ferreira informa que é integrante do MNCG há 32 anos. A seguir, a nota na íntegra:
Movimento Negro de Campina Grande
Nota de repúdio contra o mandato da vereadora Jô Oliveira, do PCdoB
Durante sua campanha para vereadora, usou a pauta antirracista do Movimento Negro Brasileiro para pedir votos e, assim, acabou conquistando um mandato dizendo que seria a voz em defesa dos oprimidos e da promoção da igualdade racial na Câmara Municipal de Vereadores de Campina Grande. Infelizmente, nós do MNCG estamos esperando que esse seu discurso seja posto em prática com relação ao fortalecimento do Seminário Agosto Para Igualdade Racial, que completou 12 anos de luta contra o racismo estrutural nas escolas públicas, comunidades quilombolas e universidades, mas que nunca mereceu por parte dos poderes públicos apoio financeiro, e essa falta de suporte vem inviabilizando a realização do Agosto Negro, que na edição deste ano precisou fazer uma campanha no Programa Diversidade da Rede Ita e Hora do Povo da TV Borborema.
Mesmo sabendo dessas dificuldades que passamos para organizar o Agosto Negro, lamentavelmente, seu mandato omisso e covarde nunca subiu à tribuna da Casa de Félix Araújo para solicitar apoio da prefeitura e do governo estadual no sentido de garantir a construção desse seminário comprometido com a luta contra o genocídio da juventude negra e implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 no currículo escolar da rede estadual de ensino. Como se não bastasse todo esse descaso com as bandeiras do Movimento Negro, notamos seu comportamento político inadequado, vergonhoso e inaceitável para uma vereadora que usa suas
redes sociais para dizer que é antirracista e, ao mesmo tempo, trata com total indiferença e desprezo um projeto de lei que construímos em 2021 com seu gabinete, para colocar o Seminário Agosto Para Igualdade Racial no calendário de eventos do município. Depois de dois anos, esse projeto nunca foi para votação. Pasmem!
Não foi porque lhe falta espírito público e vontade política para esse projeto ser votado e quem sabe aprovado para que possamos descolonizar essa cidade tão racista e desumana para a população negra das favelas e periferias. Também é triste sabermos que sua atuação como representante do povo não faça o devido reconhecimento público do importante papel que nossa militância teve na criação da Medalha Arnaldo França Xavier, ajudando seu mandato a ser mais inclusivo e compromissado com a luta pela superação das desigualdades raciais. Portanto, vamos continuar pressionando e denunciando na imprensa a sua falta de compromisso com as demandas do MNCG para que seu discurso seja realmente coerente, ético e respeitoso com a nossa trajetória, pois não podemos admitir que essa justa reivindicação feita em reunião com a parlamentar do PCdoB caia no esquecimento.
“Não há vitória quando a luta não é justa.” (Ilê Aiyê)
Fonte: Espaço PB com Assessoria – Imagem: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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