O ex-governador da Paraíba, Wilson Leite Braga, morreu por volta das 23h desse domingo (17), no Hospital Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa, onde estava internado desde o dia 1ª de maio com sintomas de crise respiratória, que depois foi confirmada como covid-19.
O cortejo para o sepultamento sai às 7h desta segunda-feira (18) do hospital e seguirá para o Cemitério Parque das Acácias, no Bairro do José Américo, na capital paraibana, onde o corpo do líder político será sepultado ao lado da esposa, Lúcia Braga, que também morreu com o coronavírus no último dia 8 deste mês.
Advogado, empresário e político, Wilson Leite Braga nasceu a 18 de julho de 1931, em Conceição, município paraibano com cerca de 20 mil habitantes, situado no Vale do Piancó, distante a 482 quilômetros da capital, João Pessoa. Durante sua vida política exerceu cargos de governador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador de João Pessoa. Passou por diversas agremiações partidárias: Arena, PDS, PFL, PSDB, PMDB, PSB, PDT e PSD.
Antes de entrar na carreira política, foi líder estudantil na década de 1950 com destaque na Casa do Estudante em João Pessoa e representante da União Nacional dos Estudantes (UNE) na Paraíba, quando cursava Direito na Faculdade de Direito da Paraíba (atual Universidade Federal da Paraíba – UFPB).
No ramo empresarial, Wilson Braga detinha o controle de emissoras de rádios no estado, como a Rádio Sanhauá de João Pessoa, a Rádio Cidade FM de Piancó e a Rádio Educadora de Conceição.
Filho do casal Francisco de Oliveira Braga e Francisca Leite Braga, seu pai, conhecido como “Seu Braga”, era comerciante, tabelião e político. Nasceu no estado do Ceará e migrou para a Paraíba na década de 1920, passando a residir precisamente na cidade de Conceição, onde foi chefe político por muitos anos.
“Seu Braga” começou a vida como comerciante e posteriormente tabelião e, ao ingressar na política, exerceu o cargo de prefeito de Conceição por três mandatos. O primeiro deles na década de 1940, o segundo entre 1973 e 1977 e, por fim, o terceiro mandato, entre 1982 a 1988. Ainda foi candidato a deputado estadual em 1950, mas não conseguiu eleger-se. A mãe de Wilson Braga, Francisca Leite, carinhosamente chamada de “Calula Leite”, era da tradicional família Leite, com forte tradição política no Vale do Piancó.
Wilson Braga iniciou seus estudos em Conceição e, posteriormente, na cidade de Patos, no Colégio Diocesano. Depois foi para João Pessoa, onde passou a residir na Casa do Estudante, chegando a ser presidente daquela instituição responsável por acolher estudantes do interior do estado. Nos anos de 1950, presta vestibular para o Curso de Direito e forma-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Paraíba, atual UFPB. Nesse mesmo período, Wilson torna-se líder estudantil e representante da UNE, chegando a participar da inauguração da UFPB na companhia do então governador José Américo de Almeida.
Era casado com a ex-deputada Lúcia Braga (falecida no último dia 8 de maio), com quem tem teve três filhos, Marcelo (falecido), Patrícia (falecida) e Marianna. Teve como irmãos a ex-deputada estadual e ex-prefeita de Conceição Vani Braga; o médico e ex-prefeito de Conceição Walter Leite Braga; e Nice Leite Braga Pegado, que é mãe do ex-prefeito Alexandre Braga.
Carreira política
Político tradicional do estado da Paraíba, Wilson Braga ocupou diversos cargos públicos. No ano de 1982, em plena ditadura militar no Brasil e depois de vários anos como parlamentar federal, Wilson Braga, então filiado ao extinto PDS, se candidata a governador da Paraíba, sendo eleito para ocupar o Palácio da Redenção com 509.855 votos (58,48%) contra 358.146 (41,08%) do candidato derrotado Antônio Mariz, do PMDB.
Em 15 de março de 1983, toma posse no governo. Seu mandato como governador é marcado por obras importantes, com destaque para o 'Projeto Canaã', criado para resolver o problema da seca e da falta d'água em vários municípios paraibanos, com a construção de açudes e barragens, sendo o seu governo pioneiro nesse segmento dentro do estado da Paraíba.
Renuncia ao Palácio da Redenção em 14 de maio de 1986, junto com o seu vice, José Carlos da Silva Júnior, para concorrer ao Senado Federal, sendo substituído por Milton Bezerra Cabral, eleito bionicamente pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), em virtude da vacância do cargo.
Apesar do favoritismo inicial na disputa para o Senado, Braga acaba sendo surpreendentemente derrotado pelos dois candidatos do PMDB a senador, Raimundo Lira e Humberto Lucena. Esses dois obtêm, respectivamente, 615.533 votos (29,97%) e 607.266 votos (29,57%), contra 388.878 votos (18,94%) de Braga. Na eleição para governador, também sofre grande revés ao não conseguir eleger o seu candidato, Marcondes Gadelha, derrotado por Tarcísio Burity.
Sem mandato e então filiado ao PFL, Wilson Braga tenta chegar a Prefeitura de João Pessoa em 1988 aonde é candidato, se elegendo assim prefeito da capital paraibana com a votação de 77.377 (52,35%).
Derrotas
Em 1990, o então prefeito de João Pessoa e ex-governador Wilson Braga (na época filiado ao PDT) renuncia ao cargo para a disputa ao governo do estado da Paraíba, dando lugar ao vice-prefeito Carlos Mangueira. Favorito nas pesquisas, Braga teve como principal adversário o ex-prefeito de Campina Grande Ronaldo Cunha Lima (PMDB).
Numa disputa acirrada, Braga e Cunha Lima vão ao segundo turno com vitória de Ronaldo Cunha Lima, que obteve 704.375 votos (55,19%) contra 571.802 votos (44,81%) favoráveis a Wilson Braga. Cunha Lima foi eleito governador para o mandato 1991-1994, porém não chega a concluí-lo.
Para não ficar sem mandato durante esse período, Braga candidata-se a vereador de João Pessoa em 1992, sendo o mais votado, com 6.068 votos. Na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), chega a ocupar a presidência da Casa.
Elege-se deputado federal em 1994, sendo reeleito em 1998. Até que, em 2002, então filiado ao PFL, concorre ao Senado Federal numa chapa com Efraim Morais (do mesmo partido), que também disputava o Senado, e Cássio Cunha Lima (PSDB), que concorria ao governo do estado. Assim como na disputa ao governo em 1990, Braga era favorito para vencer a disputa ao Senado, segundo as pesquisas, mas acaba ficando em terceiro lugar, sendo derrotado pelo ex-governador José Maranhão (PMDB – 28,72%) e por Efraim Morais (20,53%), eleitos para o mandato 2003-2011.
Novos mandatos
Depois de perder a eleição em 2002, Wilson Braga fica sem mandato por quatro anos e se alia ao grupo político do então senador José Maranhão, depois de alegar ter sofrido suposta “traição” de Cássio Cunha Lima (eleito governador) e Efraim Morais (eleito senador) seus companheiros de chapa no pleito daquele ano.
Em 2006, volta ao cenário político da Paraíba ao disputar uma vaga para a Câmara Federal pelo PMDB, sendo eleito deputado federal com 113.557 votos para o mandato 2007-2011.
Nas eleições de 2010, Wilson Braga decide retornar a Assembleia Legislativa da Paraíba para disputar mais um mandato de deputado estadual, cargo no qual exerceu de 1956 até 1967, sendo eleito com 24.752 votos para o mandato 2011-2015, com maiores votações em João Pessoa e Conceição, sua cidade natal. Em 2014, decide não concorrer a um novo mandato.
Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Redação: contato@espacopb.com.br
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