O artista plástico paraibano Ary Smart, que recentemente completou 21 anos de carreira no mundo das artes, participa no próximo mês de setembro da terceira edição da Bienal Internacional de Arte Naïf Totem Cor-Ação (BÏNaif), na cidade de Socorro, interior do estado de São Paulo. Ele participará com a obra ‘Meu São João é Assim’
A ‘III BÏNaif Totem Cor-Ação’, que acontece no período de 25 de setembro a 13 de novembro, no Museu Municipal de Socorro, está entre os principais eventos do país dedicados à estética da arte naïf, num espaço de valorização, difusão e circulação das obras e de artistas brasileiros e estrangeiros.
Aos 37 anos, José de Arimateia Pereira Alexandre, que adotou Ary Smart como nome artístico, nasceu em Guarabira, a 6 de outubro de 1983. Filho de um comerciante, Ary é desenhista, pintor, escultor, arte educador e mestre na área das artes. Também é bonequeiro (manipula, confecciona e ministra oficinas de teatro de bonecos) e coordena oficinas de arte terapêutica na Região do Brejo paraibano.
Aos 9 anos de idade, ele já desenhava e pintava personagens de desenhos animados que assistia na tevê e, aos 15 anos, quando ainda estava no ensino fundamental, conheceu os professores Josineide e Clênio Lima, que perceberam nele as habilidades e um talento para as artes. O diretor da época, Antônio Teotônio de Assunção, do Centro Educacional Osmar de Aquino, em Guarabira, revela que Ary não queria prestar atenção nas aulas.
“Sempre estava desenhando algo”, relembra Antônio Teotônio. Quando perceberam que os desenhos do pequeno aspirante às artes poderiam evoluir, os dois professores e o diretor decidiram “dar um incentivo ao menino” e assim surgiu o artista plástico Ary Samart.
Em 1999, aos 16 anos, Ary frequentou seu primeiro curso de desenho e pintura no Serviço Social do Comércio (Sesc) de Guarabira. O próprio Ary lembra que, nesse mesmo ano, teve início da sua trajetória: “Os professores e o diretor resolveram me chamar para uma reunião e me disseram: ‘Olha, Ary, vamos lhe apoiar em tudo que você precisar para desenvolver seu talento enquanto estivermos à frente da escola. Você vai ter todo o material que possa desenvolver seu talento, até mesmo seu próprio ateliê. Mas em troca de tudo isso você terá que escolher entre estudar e passar nas matérias e ter seu ateliê ou não estudar e não ter nada de apoio’. E foi assim que comecei”, relembra Ary.
Em 2001, ele se destaca no projeto ‘Novos Talentos’, da Prefeitura de Guarabira (PMG), criado pela professora e poetiza Mariza Alverga, então secretária da Cultura à época. Em 2002, Ary já estava realizando a sua primeira exposição de arte, quando ainda utilizava seu primeiro nome artístico: Ary Designer. Nesse mesmo ano participou de vários outros eventos de artes e cultura na Região do Brejo da Paraíba.
Ainda em 2002, ele foi morar no município de Pilõezinhos, onde conheceu o professor Romildo Rodrigues, responsável pelo Portal da Alvorada, e passou a ministrar oficinas de desenho e pintura, realizando uma mostra de novos talentos na cidade, no ‘Dia Municipal de Arte e Cultura’, com o apoio do próprio Romildo Rodrigues e de Josinaldo Cassiano (atual diretor de Arte e Cultura de Pilõezinhos).
Além do mundo das artes, Ary Smart também milita no campo político. Recentemente, um dos principais nomes históricos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na Paraíba, Agamenon Travassos Sarinho, escreveu e divulgou um texto alusivo ao artista guarabirense, cuja íntegra vem a seguir:
Um artista popular
A arte ocupa um lugar privilegiado nos conceitos mais qualificados, quando se tenta caracterizar o que seria uma vida de “bem estar”, desejável à raça humana. É um valor imaterial incomensurável que reúne dimensões diversas: históricas, estéticas, linguísticas, lúdicas…
Quem tem qualquer preocupação programática, de um futuro distinto da realidade humanística que vivemos hoje, reserva destacada atenção à importância da arte e cultura, ao lado do conhecimento, como direitos humanos. O ideário comunista por exemplo, em geral estigmatizado, pelo conceito sintético de “fim da exploração do homem pelo homem”, idealiza a sociedade do futuro, iguallitària, como de liberdade, justiça social, bem estar, e de pleno acesso ao saber, à arte e ao lazer. Daí a importância de se valorizar toda criação e produção artística, como cultivo deste ideário.
Quero então me propor a registrar distintos artistas nesta Paraíba que revelam, não apenas talento, criatividade, mas também estreito vínculo com nossa gente, suas raízes, sua cultura e assumido compromisso com a vida e as lutas deste povo. Hoje, um artista plástico: José de Arimateia Pereira Alexandre – Ary Smart.
Natural de Guarabira, no Brejo paraibano – região fértil na agricultura e nas artes –, solo que nos presenteou com Augusto dos Anjos, Jackson do Pandeiro, Zé Lins, Zé Pituca e Zé Américo, entre tantos, Ary nasceu no dia 6 de outubro de 1983. De origem humilde, não conseguiu ir longe na escola e é praticamente autodidata. Como aspirante a artista teve um curso de desenho e pintura no Sesc de Guarabira.
Desde criança, deslumbrou-se pelo desenho e, graças ao apoio de seus professores que perceberam seu valor e o estimularam a desenvolver suas habilidades, Ary Smart trilhou rica jornada: pintor, desenhista, escultor, mestre na confecção e manipulação de teatro de bonecos, monitor de oficinas artísticas, arte educador, também já ministrou oficinas de artes terapêuticas.
Essa performance lhe conferiu notoriedade na região, o que já lhe proporciona hoje exibir vasto currículo. Participou na Região do Brejo de oito mostras coletivas de artes plásticas e já se apresentou em nove mostras individuais.
Versátil, Ary se expressa através de diferentes gêneros das artes plásticas: a pintura em tela, a escultura, modelagem em papel machê, também em murais ou design publicitário. E como sobrevive de sua arte, quando a necessidade aperta não hesita em pegar uma “pintura” de algum imóvel. Seus trabalhos são carregados de cores vivas que bem representam a diversidade que o rodeia: as belezas naturais, os folguedos e a religiosidade popular.
No momento, nosso artista se dedica com afinco na produção de arte naïf, no que parece se sentir muito à vontade. Aliás é característica da arte naïf certo autodidatismo, desde que surgiu em 1886, numa exposição do pintor francês Henri Rousseau – que despertou atenção de “monstros sagrados” como Picasso e do surrealista Joan Miró. Significando, “inocente”, “ingênuo”, “naïf”, se mostra uma pintura simplificada e “costuma exibir grande quantidade de cores, valorizando a representação de temas
cotidianos e manifestações culturais do povo”, segundo Laura Aidar, arte-educadora e artista visual.
Agora, Ary Smart prepara uma mostra exclusivamente sobre pintura naïf. Aguardemos.
Profundamente vinculado às suas origens, retrata com seu talento o povo de onde veio. Sensível, reproduz momentos de dor e de alegria, da tradição cultural brejeira ou as lutas do dia a dia. Essa vinculação ao povo conduziu Ary para se envolver também politicamente, assumindo-se como comunista. Não é de admirar, afinal Guarabira tem tradição de luta, terra dos Aquino, dos ferroviários e sapateiros comunistas – como Chico do Baito.
Tudo isso faz de Ary Smart um artista popular!
Fonte: Espaço PB – Jorge Rezende – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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