Um dos principais nomes da história política, social e cultural da Paraíba é, sem sombra de dúvidas, o de José Américo de Almeida. Romancista, ensaísta, poeta, cronista, político, advogado, professor universitário, folclorista e sociólogo, Zé Américo permeia a verdadeira pororoca de nuances na vida dos paraibanos, com repercussões em todo o Brasil. Personagem, de fato, emblemático. Um brasileiro da cidade de Areia nota dez!
E por falar em dez, esse número está bastante ligado ao destino de Zé Américo. Ele nasceu em 10 de janeiro de 1887 (em 2026, completam-se 139 anos); morreu aos 93 anos, no dia 10 de março de 1980; e, há 45 anos, em 10 de dezembro de 1980, o Decreto-Lei 4.195 criava a Fundação Casa de José Américo (FCJA), inaugurada em 11 de janeiro de 1982 – por uma “peinha” de nada, quase foi num dia dez também. A casa (hoje museu) onde a FCJA está instalada na Praia do Cabo Branco, pertencia a José Américo de Almeida e foi construída em 1952.
A FCJA serve como museu e um ponto de preservação da memória desse importante político e escritor paraibano. O local é um centro histórico, artístico-cultural e de lazer que abriga, além do museu, bibliotecas, hemeroteca, arquivos, setores temáticos diversos e o mausoléu de José Américo. Por toda essa importância, a direção da FCJA está preparando uma exposição especial sobre a vida e a obra de José Américo a ser inaugurada em meados de fevereiro-março do ano que vem e que ficará por dois meses à disposição do público (pesquisadores, estudantes, visitantes locais e turistas) na Unidade Tambaú, um “posto avançado” da FCJA no Bairro de Tambaú, na capital paraibana.
Na preparação para essa exposição, integrantes de todos os setores que compõem a FCJA estão envolvidos no processo de pesquisa e elaboração do material a ser exposto. Para focar as três datas especiais – 10 de janeiro, 10 de março e 10 de dezembro –, os arquivos das edições do jornal A União são as referências para essas verificações históricas. Eu, particularmente, estou fazendo a pesquisa jornalística referente à data de morte de José Américo de Almeida, “revisitando” todas as publicações de A União entre os dias 8 e 12 de cada mês de março das últimas 45 edições do jornal, de 1980 a 2025.
Nessa imersão histórica, constatei uma coisa: o crescente “esquecimento jornalístico” acerca do óbito do autor de ‘A Bagaceira’. Quando da morte do escritor, em março de 1980, por questões óbvias, o assunto ocupava quase todas as edições do pós-dia 10. Nos anos seguintes, os registros foram escasseando, mas eram consideráveis. Porém, após os 15 anos da sua morte, a partir do ano de 1996, várias edições não trazem uma linha sequer acerca do aniversário de sua morte.
Isso despertou em mim uma certeza perturbadora: se o dia da morte de uma personagem como José Américo, com o passar do tempo, vai sumindo da lembrança, nós, pessoas comuns, estamos fadados ao total esquecimento das gerações futuras. Enquanto a última pessoa viva na face da terra ainda pronunciar o nosso nome depois que virarmos um pó do passado, de certa forma ainda “estaremos vivos”, pelo menos na memória. Mas depois que essa última pessoa também desaparecer de vez, seremos apenas o nada... Nem as lembranças existirão. Então, vamos parar de besteiras e perder tempo com desimportâncias. Existimos no agora. Nos amanhãs...
Fonte: Espaço PB com jornal A União (texto originalmente publicado na seção Memorial, da edição do dia 25 de novembro de 2025) – Foto: Pixabay – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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