Não costumo ficar reclamando da vida – ou da falta de uma boa vida. Lamentos, amarguras, melancolias, decepções e sensações de derrotas chegam e partem sem muita demora. Sou assim desde menino. Não sei explicar. Tenho “alguns botõezinhos” na mente que se desligam automaticamente e sigo em frente. Todavia, como em tudo há algum porém, considero os anos de 2024 e 2025 os piores desta minha existência terrena. Os “botõezinhos” demoraram a ser acionados. Não digo que quero esquecê-los. Não apagamos o passado, que serve para fazer a gente aprender e caminhar... Para errarmos menos. Contudo, não vou morrer mais do que morri em 2024 e 2025. Dessa maneira, prometo não morrer mais.
Agora, no início de 2026, aqueles intrigantes e incômodos versos da canção ‘Sujeito de sorte’, de Belchior, de 1976, estão fazendo total sentido na minha vida: “Ano passado eu morri/ Mas esse ano eu não morro”. Uma letra do poeta e cantor cearense que, na verdade, enaltece a esperança em um destino melhor. Em seus versos, Belchior se considera um “sujeito de sorte”, se sentindo “são, e salvo, e forte”. Ele cantava: “Tenho sangrado demais/ Tenho chorado pra cachorro/ Ano passado eu morri/ Mas esse ano eu não morro”. E ele mesmo apontava o alívio: “E tenho comigo pensado/ Deus é brasileiro e anda do meu lado/ E assim já não posso sofrer/ No ano passado”.
Sem entrar em detalhes, atravessei 2024 e 2025 beirando a depressão. Crises e mais crises de síndrome do pânico, ansiedade exacerbada, vontade de não mais viver, desgostos, decepções, descrenças, preocupações e problemas familiares e financeiros – cheguei a perder 17 quilos em apenas um mês e meio –, mas consegui me salvar, emergir para a vida. E tenho a consciência de que não consegui isso sozinho. Pelo menos umas duas centenas de pessoas me ajudaram a sair desse “vale da morte”. Tenho gratidão eterna por essas pessoas, que o espaço aqui não permite nominá-las uma a uma. Então, para agradecer a toda essa gente, escolhi trinta personagens para representa-las e que foram de extrema importância para que eu pudesse renascer da escuridão da vida e chutar de vez a sensação da morte.
Começo por Ademilson José e George Dias, amigos que nunca me abandonaram e me davam força e ânimo, me ligando constantemente, até de madrugada, principalmente nos momentos de profunda tristeza, ansiedade e crise de pânico. Obrigado, companheiros! A gratidão vai também a colegas de trabalho: Ana Serrano (que ouvia minhas lamentações e me acolhia por meio de suas próprias agruras de vida vivida); Amanda Felix (cuja delicadeza e olhar compreensivo eram bálsamos ao meu espírito); Fernanda Albuquerque, com suas orientações pontuais; e o trio parada-dura Fernando Moura, Duda Campos e Débora Oliveira, que “não alisavam” minhas lamúrias e que, do jeito deles, eram duros nas palavras e abriam os meus olhos e os meus caminhos, para eu reagir.
Ainda do grupo de trabalho, a minha eterna gratidão a Giovanna Barroca. Uma das melhores pessoas que conheci nos últimos tempos. Com sua perspicácia e inteligência, mais do que me acolheu: me abraçou, me compreendeu, olhou fundo nos meus olhos, me fez sentir gente, me orientou, afagou minha alma, massageou meu ego, elevou minha autoestima e me fez acreditar que a vida vale a pena. Ela mesmo passando por turbulências, gastou parte do seu tempo para me dar força e coragem. Sua empatia por mim foi e é do tamanho da sua meiguice misturada com sua tenacidade e atitudes de uma mulher forte e dona do próprio nariz.
Não posso deixar de agradecer àqueles que me socorreram quando mais precisei: os vereadores Ronaldo do Mel (de Baía da Traição) e Marcos Vinícius (de João Pessoa); dos jornalistas Clílson Júnior e Nonato Bandeira (meu eterno mestre); do secretário Lindolfo Pires (sempre atencioso); do ex-governador Ricardo Coutinho (que me faz acreditar na política); e do procurador de Justiça João Geraldo, um dos homens mais íntegros que conheci e que tenho o prazer de chamá-lo de meu amigo. Nessa mesma linha, vão os meus agradecimentos a Agê Santana (meu compadre), Paulo Sérgio (contínuo colega de A União) e Elifas Meira. Todos “me salvaram” nos momentos oportunos.
Naqueles dias de profunda angústia e sofrimento, devo muito à companhia e atenção de dois de meus filhos: Jorge Antônio e Raíssa Rezende. Obrigado por serem “meus ouvintes”. Da mesma forma agradeço ao acolhimento, compreensão e bate-papos com Nalva, Silvano Nunes, Mathaus e Audísio Alves. Esses dois últimos, meus novos amigos via minha filha Raíssa. Sou grato pelo apoio espiritual, nas minhas crises de desespero, dos pastores-amigos Ramos (meu filho de coração), Elifábio e Levi Meira. Só tenho a agradecer a Joana Darc, minha ex-primeira-mulher que, mesmo distante a mais de dois mil quilômetros, me deu toda a atenção do mundo. Por fim, gratidão ao meu cachorro vira-latas David “Rezende”, que não desgrudou de mim e não me deixou mergulhar na solidão profunda. Prometo: neste 2026, não morro.
Fonte: Espaço PB com jornal A União (texto originalmente publicado na seção Memorial, da edição do dia 6 de janeiro de 2026) – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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