Projeto utiliza argila como instrumento de aprendizagem de jovens e adultos

Publicado em: 07/09/2026 às 21:50
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A Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), desenvolve na Escola Municipal Antônio Santos Coelho Neto, no Bairro da Penha, uma experiência que aproxima educação, cultura, território e ancestralidade. Estudantes dos Ciclos II, III e IV da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participam do projeto ‘A experiência da EJA com a cerâmica: o barro carregado pelas águas’, que utiliza a argila como instrumento de aprendizagem, expressão artística e valorização dos saberes tradicionais da comunidade.

A iniciativa integra o projeto interdisciplinar ‘Ancestralidade, Ecologia e o Mar’ e faz parte do Plano Pedagógico Semestral da EJA da unidade de ensino. A proposta reúne diferentes áreas do conhecimento, como Matemática, História, Arte, Geografia, Ciências e Língua Portuguesa, promovendo uma abordagem que relaciona os conteúdos escolares às experiências, à cultura e ao território dos estudantes.

A ação conta com o acompanhamento da Coordenação da EJA, que atua na articulação pedagógica do projeto e na integração entre as diferentes áreas do conhecimento, contribuindo para que a experiência esteja alinhada ao planejamento da modalidade e às características socioculturais da comunidade escolar.

A coordenadora da EJA, Ângela Varela, destaca a importância do projeto e o trabalho desenvolvido para viabilizar a iniciativa na escola. “Trazer esse projeto para a escola foi muito gratificante. Desde o início, buscamos construir uma proposta que envolvesse também a formação dos professores, da qual eu participei, para que pudéssemos vivenciar essa experiência e levá-la aos nossos estudantes”, destaca.

“A partir dessa articulação, tivemos a oportunidade de contar com os artistas e professores Ilson Moraes e Jeorge Paiva, que acolheram a proposta e se disponibilizaram a desenvolver a oficina de cerâmica conosco. Considerando que a comunidade do Bairro da Penha é reconhecida como quilombola, o projeto ganha ainda mais significado ao valorizar a ancestralidade, a identidade, a cultura e os saberes do território. Espero que essa iniciativa tenha continuidade e gere muitos frutos, porque acredito que a EJA também se fortalece quando a escola promove experiências que aproximam educação, cultura e comunidade”, ressalta.

O professor Ilson Moraes, autor e idealizador do projeto, participa diretamente da execução do projeto na escola no processo de ensino e do manuseio da argila, passando pelos processos de aprendizagem e às vivências dos estudantes. Também integra a iniciativa o professor Jeorge Paiva, como idealizador e professor, atuando nas áreas de História e Ensino Religioso, contribuindo para a reflexão sobre ancestralidade, memória, identidade e os saberes construídos pela comunidade ao longo das gerações.

“A participação dos professores ganha especial relevância diante da identidade histórica e cultural da Penha, reconhecida como comunidade quilombola, o que amplia a importância de trabalhar, no espaço escolar, as memórias, tradições, territorialidades e formas de resistência que constituem a história da população local. Nesse contexto, o projeto busca valorizar os conhecimentos da própria comunidade, estabelecendo uma relação entre o currículo escolar e os saberes que fazem parte da vida dos estudantes”, explica o professor Ilson Moraes.

Para o professor, o trabalho com a cerâmica possibilita aproximar os conteúdos escolares das experiências e memórias dos alunos, reconhecendo os conhecimentos que cada um traz de sua trajetória. “Em uma comunidade quilombola, essa conexão ganha ainda mais significado, pois relaciona a aprendizagem à cultura, ao território e aos saberes tradicionais da Penha”, avalia.

Atualmente, os estudantes estão na etapa de familiarização com a argila e os instrumentos de modelagem, além da produção das primeiras peças. Nas atividades, experimentam técnicas como modelagem manual, acordelado e construção de placas, desenvolvendo criatividade, percepção, coordenação motora e diferentes formas de expressão. Acordelado é uma técnica milenar de modelagem manual em cerâmica que consiste em construir peças sobrepondo rolos, cordas ou “cobrinhas” de argila.

De acordo com o cronograma, a oficina de cerâmica segue até o mês de dezembro. Como parte do cronograma, está prevista uma exposição das peças produzidas pelos alunos, possibilitando compartilhar com a comunidade escolar os resultados do trabalho desenvolvido.

“Nosso trabalho se prepõe a fortalecer os vínculos entre escola, estudantes e comunidade. Mais do que aprender técnicas de produção de cerâmica, a experiência possibilita aos estudantes da EJA reconhecer e valorizar os saberes que atravessam gerações. Nesse processo, o barro se transforma em linguagem de memória, identidade, cultura e pertencimento, reafirmando a escola como espaço de aprendizagem e valorização da ancestralidade”, reforça Jeorge Paiva.

Tatiana Domingos, professora de Arte da Escola Antônio Santos Coelho Neto, participou do processo de qualificação dos professores. “Eu sou professora de Arte, mas minha especialidade é dança e participar dessas oficinas de cerâmica tem sido incrível, porque estou aprendendo outras técnicas e me qualificando ainda mais. E agora estamos nesta etapa de passar o conhecimento adquirido para os alunos e está sendo muito bom. Os alunos estão se desenvolvendo, criando suas peças de várias formas, usando e abusando da criatividade. Que venham outros projetos como este para nossa escola”, ressalta.

A estudante Virgínia Rodrigues revela que “ama todo o processo de criação”, como ver a peça pronta. “Eu gostei muito desse projeto e aprendi muito com os professores. É muito gratificante aprender coisas, que eu não sabia antes e nem imaginava que pudesse fazer. Estou muito feliz com esse projeto. Espero que continue acontecendo sempre na escola”, revela. “Foi gratificante, já fiz várias peças, entre elas uma bolsa e uma tartaruga”, celebra a estudante.

O estudante Marlon dos Santos Morais reproduziu sua própria mão. “Tem sido muito gratificante participar das oficinas de cerâmica. Agradeço à escola e aos professores por proporcionarem essas aulas e estou muito feliz também por produzir minha peça de cerâmica que é a minha própria mão, minha marca registrada. Seria bom que esse projeto continuasse e que outras escolas pudessem ter aulas de cerâmica, para que muito mais pessoas tivessem essa emoção que eu estou sentindo, que é poder fazer sua própria arte”, pontua o aluno.



Fonte: Espaço-PB com Secom-PMJP (Ângela Costa) – Foto: Ângela Costa – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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