O pesquisador Wanildo Martins, que também atua como médico veterinário, fotógrafo e professor, prepara o lançamento de uma obra inédita sobre a cultura popular paraibana: ‘Alas Ursas – Memória, corpo e resistência no Carnaval da Paraíba’. O livro de 77 páginas, registra um panorama sobre as agremiações do chamado Carnaval tradição, contendo fotografias e depoimentos. O autor ainda está definindo local e data do lançamento.
Wanildo tem uma trajetória acadêmica marcada pela interdisciplinaridade entre a ciência, a linguagem e as manifestações culturais e visuais brasileiras. Atualmente expande sua investigação científica como graduando em Antropologia Visual pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O autor revela que começou os registros fotográficos nos concursos das alas ursas no Carnaval de João Pessoa, na Avenida Duarte da Silveira, depois em Sapé, Mari, Bayeux e, finalmente, no Concurso Estadual na Orla de Tambaú. Terminou o livro em agosto deste ano. Sem apoio cultural, o processo de criação começou com o registro de imagens e seguiu com a pesquisa sobre as agremiações.
“A sensação é muito gratificante. Principalmente por ter criado uma obra para imortalizar e divulgar a beleza e a história das alas ursas. A fotografia faz parte da minha vida. É através dela que imortalizamos as pessoas, as histórias e a cultura do nosso povo. Sem a fotografia teríamos um mundo sem lembranças”.
Ala ursa – la ursa – é uma manifestação cultural e folguedo carnavalesco tradicional do Nordeste brasileiro, especialmente forte nos estados da Paraíba e de Pernambuco. O personagem principal é uma pessoa que se veste de uma fantasia pesada e artesanal de urso, feita com materiais como estopa, sacos plásticos ou retalhos, acompanhada por uma máscara grande, muitas vezes de papel machê.
Na apresentação, o urso dança de forma frenética e animada, simulando passos acelerados ao som de uma bateria ou batucada com instrumentos de percussão, acordeom e triângulo. O grupo costuma incluir figuras como um domador ou caçador e percorre as ruas e bairros periféricos pedindo dinheiro aos espectadores. A tradição descende de antigos costumes europeus do século XIX, em que domadores de ursos dançarinos circulavam pelas ruas arrecadando moedas, prática que se integrou à cultura popular do Brasil.
Nascida nas periferias e comunidades, a ala ursa é um símbolo de resistência e identidade cultural. Em João Pessoa, as alas ursas formam uma das expressões mais importantes do tradicional desfile de rua que ocorre durante o período carnavalesco.
Fonte: Espaço-PB com Assessoria – Foto: Reprodução – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com
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